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No Rio Grande do Sul | Escritora é banida de feira por 'linguajar'; editora fala em censura

No Rio Grande do Sul | Escritora é banida de feira por 'linguajar'; editora fala em censura

A Companhia das Letras reagiu à exclusão da escritora Luisa Geisler da Feira do Livro do Nova Hartz, no interior do Rio Grande do Sul.

Um funcionário da prefeitura, que apoia a organização do evento, teria alegado por telefone que seu último livro "Enfim, capivaras", voltado ao público jovem, continha palavrões ou "linguajar inadequado".

No Twitter, a Companhia das Letras classificou o ato da prefeitura como "censura". "A Editora Seguinte, selo jovem do Grupo Companhia das Letras, repudia qualquer tipo de censura e, diante de uma situação como essa, gostaria de declarar todo o seu apoio a Luisa Geisler, autora duas vezes vencedora do Prêmio Sesc de Literatura. Prêmio Machado de Assis, semifinalista do Prêmio Oceanos de Literatura e duas vezes finalista do Jabuti", diz um trecho do comunicado

Ao UOL, a assessoria de comunicação da prefeitura de Nova Hartz (RS) informou que a produtora Simples Assim, que organiza o evento, teve que fazer "ajustes nos valores e readequações", mas não soube explicar em que circunstâncias houve a exclusão da escritora.

A reportagem tentou contato com a produtora Simples Assim, mas não obteve retorno.

"Enfim, capivaras" é o primeiro livro escrito por Luisa direcionado ao público jovem. A história se passa numa cidadezinha do interior e "explora, através de vários pontos de vista, os relacionamentos entre um grupo de adolescentes e discute diferenças sociais, autodescoberta e, principalmente a amizade".

"Acreditamos que a literatura (e a arte, em geral) deve ser questionadora, e reforçamos nosso compromisso de nunca subestimar o leitor jovem, publicando obras que retratem as experiências dos adolescentes de forma honesta e que promovam o diálogo — como 'Enfim, capivaras'", completa a nota da editora.