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Na região metropolitana de São Paulo | Após almoço em família, mulher morre de covid-19 e cinco são infectados

Na região metropolitana de São Paulo | Após almoço em família, mulher morre de covid-19 e cinco são infectados

Viúva há quatro anos, Zemilda Silva do Nascimento, 54, tinha acabado de realizar seu maior sonho: o de ter a casa própria. Moradora de Mogi das Cruzes, região metropolitana de São Paulo, e conhecida na vizinhança por sua alegria, ela dedicava exclusivamente aos cuidados com o filho de 14 anos, que tem com síndrome de down.

No último dia 26 de abril, um domingo, decidiu convidar alguns familiares para um almoço em sua casa. Quinze dias depois do encontro, Zemilda foi mais uma vítima fatal da covid-19 no país. Cinco familiares que estiveram no almoço também tiveram resultado positivo de teste para coronavírus.

Zileide Silva do Nascimento, 58, irmã mais velha de Zemilda lembra que naquele domingo a irmã comentou que estava com vontade de comer lasanha e que convidaria alguns familiares. Duas irmãs de Zemilda, o cunhado e uma sobrinha, além de Zemilda e o filho participaram do almoço.

"Nós somos em seis irmãos e naquele dia ela ligou para as nossas irmãs convidando para ir lá almoçar. Ninguém tinha nenhum tipo de sintoma de gripe, jamais imaginávamos que uma coisa dessa pudesse acontecer. Ainda não dá para acreditar", lamenta Zileide, que não participou do almoço porque estava cuidando do pai que sofreu um AVC há alguns anos.

Segundo Zileide, dois dias depois do almoço Zemilda começou a apresentar sintomas de gripe. Ela teria ido até um pronto atendimento da cidade e, segundo familiares, foi receitado um remédio para gripe e ela foi orientada a retornar para casa.

"Ela nos ligava e falava que não estava melhorando da gripe. Ela comentava que estava sem fome e quando tentava comer não sentia o gosto da comida", lembra Zileide.

No dia 4 de maio, com dificuldade para respirar, Zemilda, procurou novamente atendimento médico. No dia seguinte ela foi internada, levada a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e intubada. A mulher morreu na segunda-feira (11), sete dias após a sua internação. Segundo a família Zemilda tinha hipertensão, mas a doença era controlada.

"No dia anterior, o hospital nos informou que ela tinha tido uma melhora e estávamos com esperança de logo ela ir para o quarto. Mas na segunda-feira nos ligaram dando a notícia do falecimento. É muito difícil. Além de perder minha irmã, não pudemos ver o corpo, velar e dar o último adeus", relata Zileide.

Familiares infectados

Na semana em que Zemilda foi internada, os familiares que participaram do almoço começaram a apresentar os primeiros sintomas da covid-19, como gripe e perda do paladar. Uma das irmãs de Zemilda precisou ser internada e permaneceu hospitalizada por sete dias. Os demais familiares seguem em isolamento social sendo monitorados pela Secretaria de Saúde do Município.

"Ninguém sabe como esse vírus chegou até eles. Quem teria pegado primeiro. Mas é uma doença muito grave e as pessoas e governos não tem noção do que ela causa", diz Zileide.

Sonho realizado e cuidados com o filho

Com a morte do marido há quatro anos por problemas cardíacos, Zemilda passou a cuidar sozinha do filho de 14 anos com síndrome de down. Sua rotina era toda voltada aos cuidados e educação do garoto.

"Ela o levava para a escola no período da manhã e ficava lá esperando até dar o horário de ir embora. Depois eles iam para a equoterapia e para o fonoaudiólogo. A vida dela era cuidar do filho e ela fazia isso com todo amor", lembra Zemilda. Com a morte da mãe, o garoto de 14 anos ficará sob os cuidados de familiares.

Entre os cuidados com o filho, estava a vontade de Zemilda ter sua casa própria e deixar um imóvel para o garoto. Em janeiro desse ano, ela havia se inscrito em um programa federal de habitação e conquistado sua primeira casa própria.

"Ela estava mobiliando a casa do jeitinho que ela sempre sonhou. Ela estava muito feliz com essa conquista", lembra a irmã mais velha.