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Ministério da Economia | Paulo Guedes anuncia 'debandada' e saída de 2 secretários especiais

Ministério da Economia | Paulo Guedes anuncia 'debandada' e saída de 2 secretários especiais

A equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, sofreu duas baixas nesta terça-feira (11). O secretário especial de Desestatização e Privatização, Salim Mattar, pediu demissão do cargo. Paulo Uebel, secretário de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, também deixou a pasta. "Hoje houve uma debandada", disse Guedes.

Segundo o ministro, Mattar estava insatisfeito com o ritmo das privatizações no país e Uebel reclamou do andamento de algumas reformas, como a administrativa, que trata dos servidores públicos.

Além de Uebel e Mattar, Mansueto Almeida pediu demissão da secretaria do Tesouro e alegou cansaço da vida pública. Em janeiro de 2021, ele assumirá o cargo de economista-chefe no banco BTG Pactual. Caio Megale, que foi secretário e assessor de Guedes, também desembarcou da equipe econômica. O atual presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, ficará no posto até que um substituto seja escolhido. Entretanto, Guedes já declarou que Novaes deve continuar no governo como assessor do Ministério da Economia no Rio de Janeiro.

"O Salim Mattar pediu demissão hoje. Isso, na verdade, é um sinal de insatisfação com o ritmo de privatizações. Mas vocês têm que perguntar para o Salim quem é que está impedindo as privatizações. O que ele me disse é que é muito difícil privatizar, o Estado não deixa privatizar, é muito emperrado", disse o ministro, após reunião com o presidente da Câmara dos Deputados, (DEM-RJ).

Guedes ainda afirmou que a proposta do governo sempre foi de transformação do Estado, o que também exige apoio e negociação com parlamentares. Ele voltou a dizer que a imprensa deveria perguntar a Mattar o que houve, "se ele cansou ou desistiu" desse projeto de governo.

"Para fazer a reforma da Previdência, cada um de nós teve que lutar. Para fazer [os leilões da] cessão onerosa, cada um de nós teve que lutar. Para privatizar, cada um de nós tem que lutar. Não adianta ficar esperando ajuda do 'papai do céu'", completou.

Segundo o ministro, esse processo de "transformação do Estado" tem várias dimensões —e as privatizações seriam uma delas.

"A reforma tributária é uma dimensão importantíssima; o pacto federativo diz como serão distribuídos esses recursos para estados e municípios; as privatizações...", listou. "Em algumas dimensões nós estamos avançando bem. Agora, não avançamos com a mesma velocidade nas privatizações."

"O secretário Uebel? A mesma coisa. A reforma administrativa está parada, então ele reclama que a reforma administrativa parou", acrescentou.