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Mauricio Ricardo | Não seja guloso, Maia; o bolo é um só

Mauricio Ricardo | Não seja guloso, Maia; o bolo é um só

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM) bugou meu cérebro. Pra justificar o aumento absurdo no fundão partidário ele afirmou: "A sociedade não vai ficar satisfeita nunca. Mas é preciso financiar a democracia".

Peraí. Peraí. Qual o sentido de se financiar uma democracia que não deixa a sociedade satisfeita?

Numa lógica pra lá de torta, Maia se esquece de que a dotação orçamentária tem que caber no bolo arrecadado. Palavras dele:

"independentemente do valor, se é dois, três ou quatro, o importante é que você mostre à sociedade que isso não está sendo em detrimento de nenhuma área fundamental do orçamento público".

Nhonho

Depois chamam Maia de Nhonho (o sósia guloso da turma do Chaves) e ele acha ruim.

Mas Nhonho, pense aqui comigo.

Alguém na vila te convida pra uma festa de aniversário e o bolo é um só.

Tá lá, aquele bolo redondo.

Você vai se servir e o aniversariante explica: "Fique à vontade para cortar sua fatia, mas lembre-se de que o resto do bolo será dividido entre os demais convidados".

Se a sua fatia for grande, Nhonho, não é lógico que alguém vai ter que ficar com uma fatia menor?

Dois bi a mais

Voltando ao Brasil: se os políticos botam dois bi a mais no fundão partidário, que sai do bolo da arrecadação pública, não é óbvio que esse dinheiro deixará de ser usado em alguma outra coisa? Que por causa disso uma carteira escolar, por exemplo, deixará de ser comprada? Ou uma ampola de insulina? Ou uma comunidade pode perder uma ponte?

Agora eu pergunto a você, meu caro esquerdista ou direitista que vê adversário político como inimigo: por que que esse aumento não está repercutindo com mais veemência nas redes sociais se a população em peso é contra?

Por que a reação popular tá chocha?

Porque tanto o seu salvador da pátria quanto o outro salvador da Pátria querem a grana. E nenhum deles está lá minimamente preocupado em subir hashtag.