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Lançamento de Cícero precipita definições no quadro sucessório local

Lançamento de Cícero precipita definições no quadro sucessório local

O gesto do ex-senador Cícero Lucena, oficializando em entrevistas e postagem em rede social o lançamento da sua pré-candidatura a prefeito de João Pessoa pelo Partido Progressistas, tem o condão de precipitar definições no quadro sucessório da Capital por parte de outros esquemas tidos como influentes. Cícero integra o rol dos “candidatos competitivos” diante do “recall” que amealha num reduto cuja administração empalmou por duas vezes e pela desenvoltura que inegavelmente ostenta na abordagem de problemas que afligem a população. Esquemas como o do governador João Azevêdo (Cidadania), do prefeito Luciano Cartaxo (PV) e do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) terão que sair da postura defensiva que ora adotam e apresentar projetos e nomes que possam representar esses projetos no confronto das urnas.

Algumas pré-candidaturas já vinham se insinuando e até mesmo procurando ocupar espaços, além de tentar se adaptar a uma conjuntura de crise de Saúde Pública originada pela pandemia do novo coronavírus que tornará atípicas a campanha eleitoral e a votação propriamente dita, diante de regras de distanciamento social que impedem ou dificultam, por exemplo, o corpo-a-corpo de postulantes com eleitores, característica de disputas memoráveis na história do país. O rigor das medidas sanitárias, da mesma forma como não aboliu o calendário eleitoral – apenas adiando-se as eleições de outubro para novembro, conforme decisão conjunta do Senado e da Câmara dos Deputados – não inviabiliza a apresentação e o debate de propostas ou alternativas para demandas prementes da população pessoense. A retomada da propaganda no rádio e na TV, a utilização massiva das redes sociais e os confrontos por meios de comunicação facilitarão a tomada de posição dos eleitores quanto a preferências ou rejeição de candidaturas.

Antes que Cícero se lançasse já haviam avançado na ocupação de espaços os pré-candidatos Ruy Carneiro, do PSDB, e Raoni Mendes, do Democratas, idealizadores da promoção de seminários on line em torno de pontos cardeais que norteariam estratégias de discussões na campanha eleitoral deste ano. O radialista Nilvan Ferreira se afastou de programa que ancorava em emissora do Sistema Correio e passou a se reportar a dirigentes e filiados do MDB, pelo qual concorrerá, enquanto o deputado em exercício Anísio Maia busca se credenciar dentro das hostes do Partido dos Trabalhadores, numa empreitada incerta, pelo menos em prognósticos de analistas políticos. No “Cidadania”, agremiação em que o governador João Azevêdo ingressou com discípulos após ser hostilizado por Ricardo Coutinho no PSB, o vereador Bruno Farias luta para convencer que é nome viável como candidato. E o Rede Sustentabilidade, após quatro meses de chamada pública, selecionou o advogado e procurador do Estado Carlos Antônio Araújo Monteiro, que se jacta de ser “ficha limpa”.

Há outros pretendentes “voejando” por siglas disponíveis com facilidade para acolher voluntários, ainda que aparentemente o interesse deles seja menos o de conquistar vitória e mais o de obter algum tipo de vantagem, incluindo a projeção pessoal, a visibilidade de imagem, numa concessão à vaidade ou ao narcisismo. E há uma incógnita em torno do PSB. Isto porque o ex-governador Ricardo Coutinho, dono da legenda e seu principal líder, não está, em princípio, impedido de ser novamente candidato, apesar de ser alvo de ações da Operação Calvário, como o uso de tornozeleira eletrônica e a citação em depoimentos sobre alegada organização criminosa. Por via das dúvidas, ou por desinteresse em concorrer, Coutinho tem estimulado sua atual esposa, a ex-secretária Amanda Rodrigues, a dar as caras no processo, participando de “lives” em torno de temas variados, como tática para romper a barreira do anonimato. Há sérias dúvidas sobre influência residual de Ricardo no processo à vista, o que não impede o seu esquema de pagar para ver.

A dados de hoje, Cícero Lucena parece polarizar um dos eixos da disputa pela sucessão do prefeito Luciano Cartaxo, que está no segundo mandato. E o próprio Luciano, embora não seja tido propriamente como um líder carismático, polariza o outro eixo, graças ao domínio da máquina administrativa, às ações emergenciais que tem empreendido no enfrentamento ao coronavírus e a resquícios de influência que possa vir a ter no desenrolar do processo em que estará em jogo a cadeira que ocupa. Luciano insiste em falar em “projeto”, não em mencionar nomes, se bem que na urna eletrônica não vá aparecer a indicação de um certo “Sr. Projeto de Tal” mas a foto de uma criatura. Há um pouco de autossuficiência por trás do método de Cartaxo. Sobre a razão, só Deus sabe….

Seja como for, é visível o aquecimento para a largada à sucessão municipal em João Pessoa. O jogo só será modificado novamente ou cancelado se houver algum fator superveniente. Como ninguém tem bola de cristal, convém ir se preparando de alguma forma para não ser surpreendido na undécima hora. A disputa que se avizinha não está com cara de quem proporcionará surpresas impactantes no leque das opções que vão se firmando gradativamente no cenário local.  Quem se atrasar demais na corrida tende a perder espaços inexoravelmente. Essa é a lógica do jogo.