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Josias de Souza | Em Genebra, Damares pousa no Mundo da Lua

Josias de Souza | Em Genebra, Damares pousa no Mundo da Lua

Noutros tempos, os constrangimentos eram provocados por opositores. Hoje, o governo se embaraça sozinho. Em relação à possibilidade de greve no setor de segurança pública, a Constituição anota uma coisa e a ministra Damares Alves (Direitos Humanos) afirma o oposto.

"Direito à greve é direito garantido", proclamou Damares em conversa com o repórter Jamil Chade. "Nós temos leis que regulam a greve no Brasil. Agora, as pessoas questionam: Mas as forças de segurança têm direito à greve? Direito à greve é direito à greve".

Ciente do apreço que tem pela corporação policial, Damares quis adular o chefe. Desinformada a mais não poder, falou sobre o que não entende. E colocou sua subserviência acima do texto constitucional, que veda greves de categorias armadas. Coisa já ratificada pelo Supremo Tribunal Federal, em 2017.

Em termos estritamente geográficos, Damares está em Genebra. Em termos práticos, a ministra tem dificuldades para se situar. Oscila entre o otimismo exacerbado e o mundo da Lua. Ambas as posições parecem inadequadas para uma ministra de Estado às voltas com uma viagem oficial.

Quando está com a cabeça enfiada no otimismo, à moda do avestruz, Damares acalenta a ilusão de que os pseudogrevistas do Ceará usufruirão do "direito à greve" sem afrontar o "direito à vida". Quando vai para o Mundo da Lua, a ministra diz acreditar que os policiais cearenses estão "no limite".

No mundo real, os PMs amotinados já ultrapassaram todos os limites. Armados e encapuzados, desafiam as forças da lei e da ordem. Potencializam o crime, sobretudo os homicídios. Chamá-los de grevistas é uma ofensa aos brasileiros que respeitam a lei e não cobrem a cara.

Antes de retornar de Genebra, Damares deveria dar um telefonema para o astronauta Marcos Pontes, ministro da Ciência e Tecnologia. O choque de retornar da estratosfera para a Terra exige certos cuidados —quem sabe uma câmara de descompressão.