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Fórum Econômico Mundial | Pobres são vítimas, não culpados por destruição ambiental, dizem entidades

Fórum Econômico Mundial | Pobres são vítimas, não culpados por destruição ambiental, dizem entidades

Entidades de preservação do meio ambiente criticaram declarações feitas hoje pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, em Davos, Suíça, no Fórum Econômico Mundial. Para o ministro, a pobreza é a maior inimiga do meio ambiente e pobres "destroem porque estão com fome".

Luiza Lima, da campanha de Políticas Públicas da ONG (Organização Não Governamental) Greenpeace, a fala do governo brasileiro "mais uma vez gera constrangimento e piora a situação da imagem do país."

"A fala dele está cheia de equívocos e de imoralidade. Em vez de colocar a pobreza como o pior inimigo do meio ambiente, digo que o maior inimigo dos pobres é a destruição do meio ambiente", disse.

Pobres não são responsáveis, são vítimas. Eles sofrem mais os impactos da destruição dos rios, das florestas e dos ecossistemas. São eles os mais vulneráveis a furacões, tornados, enchentes e secas, que aumentam [com a destruição do meio ambiente].
Luiza Lima, do Greenpeace

Luiza lembra que a declaração do ministro foi dada justamente no ano em que o fórum trouxe as questões ambientais para o centro das suas discussões.

"O ministro tenta vender mais uma vez a narrativa do governo Bolsonaro, que simplifica e distorce a problemática e reforça uma agricultura antiga. Ele diz que o mundo precisa de mais produção de alimentos, mas já existem modelos bem-sucedidos de mais produção e que não dependem de mais desmatamento", afirmou.

"Visão historicamente atrasada e factualmente equivocada"

Na opinião de Raul Valle, diretor de Justiça Socioambiental do WWF-Brasil, a declaração do ministro é equivocada. Ele também argumenta que os pobres, em geral, são as maiores vítimas do processo de destruição ambiental.

No caso do Brasil, não é verdade que se está desmatando para comer. Aqui, o que acontece há séculos, e aumentou consideravelmente nesse último, decorre da apropriação de grandes fazendas. Grande parte [do desmatamento] é para especulação imobiliária. Quando se tem produção de alimentos, é em larga escala, e não é para a mesa do brasileiro.
Raul Valle, da WWF-Brasil

Segundo Valle, o discurso de Guedes deixa subentendido que o Brasil precisa se desenvolver sem se preocupar com a questão ambiental.

"Isso é uma visão historicamente atrasada e factualmente equivocada. É a reprodução do pensamento de 1972, quando houve em Estocolmo a primeira grande conferência do meio ambiente. O governo brasileiro alegava que não tinha preocupação com a poluição. Na cabeça do governo militar, a poluição era desejável porque era sinônimo de desenvolvimento. Isso levou o Brasil a ter alguns dos maiores índices de poluição do mundo", disse.

Ele citou exemplos de locais extremamente pobres que sofrem com danos ambientais e de ricos que preservaram. "Alagoas não tem quase nada de mata atlântica e não está com IDH [Índice de Desenvolvimento Humano] alto. No outro extremo, temos países como a Suécia, que é superdesenvolvida e nunca desmatou. Há mais de 30 anos a discussão acadêmica já pacificou que isso [a posição de Guedes] é um equívoco", afirma.

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