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Evento em SP termina hoje | Visitar a CCXP é passear por um inferno em sete estágios; entenda

Evento em SP termina hoje | Visitar a CCXP é passear por um inferno em sete estágios; entenda

Vale a pena ir à CCXP? Vale, desde que a cultura pop esteja no lado esquerdo do seu peito. Ainda assim, a CCXP é um inferno? É, com perrengues e doses de dor, angústia e sofrimento, às vezes com um sentimento constante "que diabos eu estou fazendo aqui?". Seja você fã, jornalista ou funcionário, em questão de minutos o paraíso geek pode se transmutar em inferno - e não estamos falando da fraca continuação de Anjos e Demônios, com Tom Hanks. É bem pior.

Inferno #1: é muita, muita gente

A organização calcula 280 mil pessoas circulando pelo pavilhão em quatro dias oficiais de evento (ou cinco, se contarmos a Spoiler Night, que, como o nome entrega, adianta o que vai acontecer na feira para um público seleto). Mas a impressão é de muito mais. Desde o fim da manhã, os corredores entre as centenas de estandes ganham ares de Marginal Tietê na hora do rush em véspera de feriado. Não há nada parecido em termos de feira no mundo. É difícil andar - cansa -, sentar - quase não há assentos -, visitar lojas - lotadas -, ir ao banheiro - fila é mato -, brincar nas atrações e estandes - idem - e, principalmente, não se sentir como se estivesse no bloco Enquanto isso na Sala da Justiça, do Carnaval de Olinda, dedicado aos super-heróis. Um acinte aos claustrofóbicos.

Inferno #2: localizar-se é desafio

Os faraônicos 115 mil metros quadrados da São Paulo Expo, equivalentes a 16 campos de futebol apinhados de gente - e cosplayers, que também são gente - só podem significar uma coisa: em algum momento você ficará igual ao meme de John Travolta confuso. A organização não distribui mapas - há apenas alguns afixados nas extremidades do pavilhão - e a sinalização dos corredores, divididos por letras, não é suficiente para não se perder. "Já não passei por aqui antes?" é uma frase bastante ouvida nesse labirinto do fauno da vida real.

Inferno #3: comer é ato de heroísmo

Como já explicamos, alimentar-se bem na CCXP, pagando preço justo, é tão difícil quanto zerar Battletoads do Nintendinho de primeira e sem gastar continues. Você é vegano? Leve marmita. Tem alergia a glúten? Melhor sair "almoçado". Gosta mesmo é de um PF e de "comida de verdade"? Bom para você, mas há pouquíssimas opções de refeição tradicional nas abarrotadas praças de alimentação. Com bebida incluída, elas podem custar para lá de R$ 50. Falamos sobre a dificuldade de se sentar às mesas, com muitos descansando sem comer nada por não ter outro lugar fazê-lo? Falamos, mas não custa reforçar.

Inferno #4: lembrancinhas passam a faca

Tudo é caro. Um par de pantufas de personagens da Pixar chega a R$ 100. Camisetas geek de lojas de fast fashion também esbarram nesse preço. Os famosos bonequinhos Funko, febre geek, são vendidos por nada módicos R$ 150, sendo que na gringa muitas vezes saem por R$ 10. Outros itens colecionáveis passam de R$ 400 como uma simples réplica do personagem Sora, da série Kingdom Hearts, preço parelho ao de um simples R2-D2 de plástico, comercializado como balde de pipoca. Mas nada está tão caro que não possa inflacionar. Uma escultura do mestre Yoda escala ¼, custa R$ 3.500.

Inferno #5: painéis são difíceis

Quer ver um painel com um ator ou outro artista conhecido, de preferência astro de Hollywood? Prepare-se para chegar cedo e passar o dia todo na fila, perdendo a maior parte da CCXP. Alguns chegam a acampar do lado de fora do pavilhão para não perder a chance de ver nomes como Daisy Ridley, Ryan Reynolds e Margot Robbie às vezes nem tão de perto assim. O auditório principal do evento tem capacidade para 3.330 pessoas. Ali, o som vaza, o volume das caixas não dá conta de quem está sentado mais atrás, a gritaria é ensurdecedora e, para deixar o recinto, o público precisa obrigatoriamente sair do pavilhão, dando uma longa volta se quiser retornar à São Paulo Expo. Pense em mais um rolê cansativo.

Inferno #6: internet

Aglomerações costumam render sinal de internet instável nos telefones celulares. Na CCXP "dos infernos", esse problema é recorrente. Com dezenas de milhares de pessoas zanzando diariamente pelo gigantesco espaço, um ato banal como subir um vídeo nos Stories ou uma foto na sua rede social favorita vira tarefa hercúlea. De perder a paciência. Pensando nisso, a organização até firmou parceria com a Oi para fornecer wi-fi gratuito ao público, mas o sinal também não é dos melhores e ainda te obriga a realizar cadastro, entregando seus dados à operadora - olha o big data aí, gente! Dava para ser melhor.

Inferno #7: ir embora

Chegar a São Paulo Expo já começa como um teste à paciência. O engarrafamento começa desde a alça de saída da Rodovia dos Imigrantes, do fim da manhã ao encerramento da feira, às 21h. Ir embora, aliás, é mais uma via crucis. O metrô mais próximo, estação Jabaquara, fica a 1,3 km da CCXP, com direito a encarar uma ladeira íngreme e, caso a bravura do Capitão América esteja imbuída em você, por uma passarela de metal que "dança" com o passar do público, que sai quase todo de uma vez. Quer pegar um Uber ou coisa do tipo? Espere por, no mínimo, meia hora e ande pelo menos por 10 minutos. Talvez seja preciso esperar mais.