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Coronavírus no país | Manipular números é lealdade militar burra e genocida, diz Mandetta

Coronavírus no país | Manipular números é lealdade militar burra e genocida, diz Mandetta

O ex-ministro da Saúde, , afirmou hoje que vê com estranheza a mudança de horário para a divulgação da pasta sobre as atualizações do coronavírus e a falta de dados completos. Para ele, este desmanche das informações é trágico para o Brasil.

Em live para o canal IDP, que teve a mediação do ministro do Supremo Tribunal Federal (), Gilmar Mendes, o médico voltou analisou que a impressão que passa é que o governo quer fazer uma "plástica transformadora" nos números de casos e mortes da pandemia no Brasil.

Mandetta cogita que as mudanças no Ministério da Saúde sejam pensadas para a ala militar, de uma "bravura ou lealdade extrema mesmo que burra e genocida".

"Talvez isso seja o que estamos presenciando: uma ótica muito mais de carreira promocional, de cumprir uma missão e essa missão se passa por sonegar informações, torturar os números. Talvez seja isso que a gente vá presenciar", disse.

Para o ex-ministro, que acredita que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vem interferindo na pasta por decisões políticas, "o desmanche da informação é uma tragédia para a saúde".

Isso vai criar problema para abastecimento da rede de saúde, um enorme problema de notificação compulsória, no planejamento de ações baseadas em números e naturalmente da população não saber [os dados oficiais]. Vai começar a surgir também um total de números feitos pela televisão A, um total de números pelo instituto B. A fake news é um campo facundo e depois reclamam dela, porque vão começar a falar que estão maquiando [os números]. Vamos perder e ficar na pior dos mundos.

Mandetta analisa que não consegue entender as mudanças feitas pelo ministério no ponto de vista da saúde, mas no da política sim. "Explica-se no campo das ciências políticas, de manipular os números, esconder os números, não deixar notícias ruins", opinou.

Um dia após ser tirado do ar para uma "manutenção" não anunciada, o site oficial da covid-19 , alimentado com o balanço da pandemia pelo Ministério da Saúde, voltou hoje ao ar depois de passar mais de 19 horas. Porém, à exemplo do que ocorreu ontem com a atualização diária dos dados de diagnósticos, óbitos e curados, deixou de trazer números consolidados sobre a doença e o histórico de sua evolução desde o primeiro caso brasileiro.

Agora, o site apresenta apenas os dados incluídos nas últimas 24 horas na base de dados do governo — o que não significa que ocorreram de ontem para hoje. Assim, em vez de noticiar as 35.026 mortes e 645.771 casos oficializados até ontem, o site informa apenas novos casos de recuperados, diagnosticados e óbitos.

Sair da OMS seria colocar o Brasil como "pária"

O ex-ministro afirmou na entrevista que não vê elementos positivos em uma possível saída do Brasil da Organização Mundial da Saúde (OMS). Hoje, o presidente (sem partido) acusou hoje a OMS de atuar de forma política e ameaçou retirar o Brasil da entidade, seguindo decisão tomada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Sair da OMS, para o Brasil, é nos colocar como párias mundiais em saúde. É sair completamente da saúde. É igual a um menino mimado que fala: 'Se eu não posso jogar, vou embora para casa'. E ele não sabe que o melhor não é ser o dono da bola, é jogar futebol.

"Eu acho que o Brasil perderia e muito. Não somos uma superpotência para ficar fora de um grande espaço como a OMS", acrescentou.

Por outro lado, o ex-ministro fez duras críticas à entidade. Ele avalia que a OMS errou no início da pandemia e insistiu por muito tempo nos testes individuais antes de perceber a gravidade da doença.

"O Brasil foi o primeiro país a questionar se não estávamos no meio de uma pandemia. Eles [da OMS] brigaram conosco, falaram que era um vírus pesado. O Brasil questionou a OMS antes da China reconhecer o vírus. A OMS demorou para tomar algumas medidas, e insistiu muito nessa questão das testagens um a um", declarou.

"Brasil procura um culpado", diz Mandetta

Para Luiz Henrique Mandetta, o Brasil segue se espelhando nos Estados Unidos para encontrar um culpado pelo fracasso no tato com a pandemia em seu território.

O médico apontou que Trump está próximo de uma eleição duríssima, mas que as críticas brasileiras foram semelhantes.

"O nosso país tomou uma decisão e está colhendo as consequências, procurando também um culpado. Tentaram colocar [a culpa] na China, começaram a chamar de 'vírus chinês' e tomaram uma reação muito dura e falaram: 'Não vamos mais culpar a China, vamos culpar a OMS'", disse.