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Comunicação | Lugares incríveis para trabalhar: Ericsson reduz emails e coloca CEO no telefone

Comunicação | Lugares incríveis para trabalhar: Ericsson reduz emails e coloca CEO no telefone

Em 2018, a pesquisa de clima organizacional semestral da Ericsson indicou um problema claro na região do Cone Sul (Brasil, Argentina, Chile, Peru e Uruguai). Ironicamente, a gigante das comunicações - que, em 140 anos de história, conectou o mundo com tecnologias que vão desde telefones de baquelite a antenas de telefonia móvel - tinha um problema de comunicação interna.

"Os funcionários reclamavam que a informação não fluía", resume Silvio Paciello, vice-presidente de pessoas para a Ericsson no Cone Sul da América Latina. "Por 'n' razões: a empresa é ultrafragmentada; a empresa é mundial; o gestor não faz a comunicação adequada; a pessoa não lê e-mail, não lê blog, não lê o Yammer, que é nossa rede social interna".

Para sanar essa falha, a empresa implementou um programa encabeçado pelo CEO da região, Eduardo Ricotta. "Nós trabalhamos muito próximos com a liderança para pensar a comunicação de forma integral. E gerou um resultado que as pessoas perceberam", avalia Luciana Leite, head de comunicação da Ericsson Brasil.

Sai o e-mail, entra a revista digital

Uma das mudanças foi limitar o número de e-mails enviados para os colaboradores, para evitar a saturação da caixa de entrada. "Nós mudamos o tom dos e-mails. Repaginamos a forma de comunicar, com uma linguagem mais moderna e mais humana", explica Luciana.

Outros meios de comunicação foram melhor aproveitados. "Otimizamos o compartilhamento de mensagem em diferentes canais, em reuniões, em avisos internos. Deixamos mais claro para o colaborador entender o que a Ericsson faz no mercado", afirma. Uma dessas iniciativas foi uma nova reunião mensal para atualizar a companhia como um todo sobre o andamento de projetos de todas as áreas.

A empresa também criou uma revista digital mensal, chamada Ericsson Informa. "Enquanto a média dos comunicados por e-mail tem uma taxa de abertura de 23 a 25%, a revista registra média de 80% a cada semana", comemora.

CEO distribui picolés e telefonemas

Sede da Ericsson Brasil, em Indaiatuba (SP) - Divulgação/Ericsson - Divulgação/Ericsson
Ericsson Brasil: CEO é atuante nos fóruns internos
Imagem: Divulgação/Ericsson
Outro ponto-chave foi tornar Ricotta mais acessível. Para isso, não bastava só estar presente nas ferramentas de comunicação. Era preciso ajustar a cultura da empresa. "Esse trabalho não acontece do dia pra noite. A gente leva vantagem pelo fato que o Ricotta começou na empresa há 25 anos, como trainee", analisa Luciana.

A pandemia ajudou a acelerar o processo. "Desde que o isolamento social começou, Ricotta e os demais líderes criaram o hábito de telefonar para as pessoas", conta Paciello. "Eles perguntam de duas coisas que não estão indo bem. Isso deixou as portas abertas e criou um senso de proximidade", completa.

"Acho que existe um degrau natural que faz as pessoas se sentirem inibidas a abordar o CEO para dar um feedback", opina Silvio Paciello. "Ele pode se colocar perante a organização de uma forma hierárquica, de difícil acesso. Acredito que a forma que estruturamos é mais aberta".

Outras atitudes colaboraram. Quando a Ericsson fechou um negócio importante, no final de 2018, Ricotta comemorou de uma maneira inédita: saiu pelos andares da empresa distribuindo picolés. Também passou a integrar e opinar nos fóruns internos, como os de diversidade, de estagiários e de vendas. "Ele se coloca muito como uma pessoa igual aos outros", afirma Paciello. "Na semana que vem, vai fazer um café virtual só com os jovens talentos, de até 26 anos", exemplifica Luciana.

Em dois anos, crescimento de 16 pontos na pesquisa

Silvio Paciello, vice-presidente de pessoas para a Ericsson no Cone Sul da América Latina - Divulgação/Ericsson - Divulgação/Ericsson
Paciello: "Estamos cinco pontos acima da média global"
Imagem: Divulgação/Ericsson
A percepção do CEO pelos funcionários é um dos quesitos inéditos que serão reconhecidos no Prêmio Lugares Incríveis para Trabalhar. A pesquisa Employee Experience, elaborada pela Fundação Instituto de Administração (FIA), tem um índice específico só para essa relação - o i-CEO. As inscrições para a pesquisa e o prêmio são gratuitas e se encerram no próximo dia 12.

Paciello teve evidências claras de como uma pesquisa de clima organizacional pode ajudar a orientar uma empresa na direção certa. Graças às alterações realizadas nos últimos dois anos, a primeira edição da análise em 2020 apresentou melhoras nas pontuações de comunicação, cultura, feedback e liderança. "De maio de 2018 a maio de 2020, nossa região subiu de 71 para 87 pontos de favorabilidade", comemora Paciello. "Estamos cinco pontos acima da média global da Ericsson".

Mundialmente, a companhia também parece estar repensando suas formas de comunicação. Um exemplo é o projeto que reúne todos os 8 mil gerentes de RH para opinar sobre os pilares da cultura corporativa a partir de 2021. "Tem sido bem interessante fazer essa cocriação, em contraste com o que acontecia antigamente: a empresa implementar sem ouvir ninguém", avalia Paciello. "Essa nova cultura tem a ver com o que vem pela frente: a implementação do 5G e uma empresa mais dinâmica, rápida, moderna. É uma quebra de paradigma".

O Prêmio Lugares Incríveis para Trabalhar é uma iniciativa do UOL e da Fundação Instituto de Administração (FIA) que vai destacar as empresas brasileiras com os mais altos níveis de satisfação entre os seus colaboradores. Os vencedores serão definidos a partir dos resultados da pesquisa FIA Employee Experience, que vai medir o ambiente de trabalho, a cultura organizacional, a atuação da liderança e a satisfação com os serviços de RH. As inscrições estão abertas até o dia 12/9 e podem ser feitas, gratuitamente, no site da pesquisa FIA Employee Experience.