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Boa temporada | Jessica Jones se despede da Netflix com vilão instigante

Boa temporada | Jessica Jones se despede da Netflix com vilão instigante

Nenhuma série ou filme de super-heróis é puramente sobre super-heróis e as possibilidades, boas ou ruins, trazidas por seus superpoderes. Jessica Jones, no entanto, sempre levou esse conceito um nível acima, trazendo discussões profundas sobre abuso, relações familiares e identidade. A terceira temporada, que estreou no último dia 14 na Netflix, segue o mesmo padrão - e o resultado é uma ótima despedida para a personagem, a última da parceria da Marvel com a gigante do streaming a dar adeus.

Ainda abalada pela morte de sua mãe, Jessica (Krysten Ritter) se vê às voltas com uma série de dilemas éticos disparados pela chegada do vilão Gregory Sallinger (Jeremy Bobb), um assassino em série com profundo desprezo por aqueles que, em sua visão, estão trapaceando na vida com as vantagens que lhe foram dadas (inclusos aí, claro, aqueles com superpoderes). Sallinger é um homem ressentido, mas extremamente calculista e manipulador, que ao longo dos episódios se prova um adversário interessante para a protagonista - e que se torna ainda mais perigoso justamente porque ela, apesar de todos os defeitos, tem um código moral bem definido, do qual não está disposta a abrir mão.

Essa questão volta a aparecer na relação de Jessica com Trish (Rachael Taylor), fragilizada desde que a apresentadora matou a mãe da super-heroína, ao fim do segundo ano da série. Agora com poderes próprios, Trish vai cada vez mais longe para concretizar suas noções de justiça e heroísmo, o que a coloca em rota de colisão com Jessica. Há uma dicotomia clara entre a mulher desesperada para ser uma heroína e aquela que nunca se sentiu à vontade com o rótulo, o que resulta em um dos conflitos mais interessantes da temporada.

Divulgação/Netflix
Relacionamento de Trish e Jessica é um dos pontos altos da temporada Imagem: Divulgação/Netflix

A Jessica da nova temporada, aliás, não é a mesma da primeira. Ela ainda carrega as marcas dos traumas que passou e tenta se livrar da dor bebendo mais do que seria recomendável, mas está mais estável do que nunca e demonstra muita clareza em relação a seus limites e suas responsabilidades, ainda que também erre. São aqueles que a cercam que, desta vez, funcionam de forma errática e quase autodestrutiva: Trish está ávida por se tornar uma heroína, Jeri Hogath (Carrie Ann Moss) tenta conciliar a sua doença com a busca por um antigo amor e Malcom (Eka Darville) tem seu bom-mocismo testado em seu dia a dia como funcionário da advogada.

Cada uma das tramas gira em torno das mesmas questões morais: mais do que certo e errado, o que é justo? A quem cabe decidir o que é justo ou não? E o que significa, afinal, ser um herói em um mundo que nunca é puramente preto e branco? A série explora essas questões de forma fascinante, colocando seus personagens em posições impossíveis - e as respostas nunca são fáceis.

Jessica Jones sofre de um problema comum a todas as produções da Marvel na Netflix: a longa duração. Com 13 episódios de quase uma hora cada, a história acaba se estendendo para além do necessário em certos momentos. Isso não tira, no entanto, o brilho da nova temporada, que dá um final mais do que digno para a super-heroína.