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Análise | Stycer: Record se distancia de Crivella no caso da cruzada contra beijo gay

Análise | Stycer: Record se distancia de Crivella no caso da cruzada contra beijo gay

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella

As iniciativas do prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), costumam ser acompanhadas de perto e ter enorme ressonância nos programas jornalísticos da Record. Não foi o caso, porém, da cruzada contra o beijo entre dois personagens masculinos de uma HQ à venda na Bienal do Livro.

Na sexta-feira (06), dia em que o caso eclodiu, apenas um telejornal local, o "Balanço Geral", falou da iniciativa do prefeito. O principal programa jornalístico da emissora, o "Jornal da Record", não encontrou espaço nos 50 minutos da edição para falar de Crivella. No sábado (07), quando o assunto já tinha repercussão até no exterior, mais uma vez o "Jornal da Record" não disse uma palavra sobre o esforço do prefeito do Rio em censurar livros.

Neste domingo, depois de 48 horas de silêncio, a direção da emissora determinou que o assunto fosse tratado no "Domingo Espetacular". Mas, de forma discreta, com uma "nota coberta", com duração de apenas 60 segundos, em seguida a uma notícia sobre um acidente causado por dois elefantes no Sri Lanka.

Crivella, como se sabe, é sobrinho de Edir Macedo, fundador e líder da Igreja Universal e proprietário da Record. Os dois costumam comungar das mesmas convicções religiosas e ideias políticas. Por isso chamou tanta a atenção o pouco caso da Record com o assunto.

Várias iniciativas polêmicas do prefeito contaram com extensa cobertura da Record, como quando Crivella acusou a Globo de chantagem ou ao anunciar uma sindicância para investigar a Fundação Roberto Marinho ou, ainda, ao decidir reduzir as verbas municipais destinadas ao Carnaval.

A divergência entre Crivella e Macedo levantou algumas dúvidas, ainda sem resposta. O prefeito agiu sem consultar o tio ou a Igreja Universal? O fundador da igreja não vê problemas no beijo entre dois homens? Crivella e Macedo discordam em matéria de censura de livros?

Uma resposta para estas questões pode estar nos dados publicados por Vinicius Mota, no artigo Atacar gays não melhora popularidade, na Folha. De cada quatro indivíduos consultados pelo Datafolha na véspera do segundo turno de 2018, três concordaram que a homossexualidade deve ser aceita por toda a sociedade. Mesmo entre os evangélicos (57%) e os eleitores de Bolsonaro (67%), a aceitação supera largamente a rejeição.

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