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Técnico do Bayern ajudou no 7 a 1 e na revolução alemã, mas não fazia gols

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Hans-Dieter Flick era assistente do Bayern de Munique até novembro do ano passado. Os resultados insatisfatórios do então treinador Niko Kovac levaram este alemão de 55 anos a assumir o maior clube do país. Pouco mais de seis meses depois, a oportunidade de assumir um posto de protagonista foi aproveitada. Alguém que viveu grandes glórias do futebol germânico, mas como coadjuvante, está prestes a ser campeão do Campeonato Alemão.

Meio-campista de 104 jogos e apenas cinco gols pelo próprio Bayern, entre os anos de 1985 e 1990, Flick trabalhou como assistente técnico de Joachim Low na seleção alemã entre 2006 e 2014. Hoje está efetivado no clube e com contrato até junho de 2023, renovado durante o período de quarentena em virtude do novo coronavírus.

Neste período de oito anos, a escola futebolística do país se transformou e revolucionou a equipe nacional do país. O futebol coletivo, de qualidade técnica e vocação ofensiva encantou e chegou ao topo com o título mundial na Copa do Mundo disputada no Brasil.

Hans Filck como jogador do Bayern: mais de 100 jogos, mas poucos gols - Bongarts/Getty Images
Hans Filck como jogador do Bayern: mais de 100 jogos, mas poucos gols
Imagem: Bongarts/Getty Images

Sim, Flick esteve sentado ao lado de Low no fatídico dia do 7 a 1 sobre a seleção brasileira, no Mineirão. A vocação ofensiva fora das quatro linhas se sustenta no Bayern e contrasta o pouco número de gols durante o período de jogador no próprio time da Baviera.

Após trabalhar o time na "pré-temporada" pós-paralisação, Flick elevou o patamar do Bayern, que já vinha alto sob o comando do alemão, principalmente com a campanha na Liga dos Campeões da Europa - no jogo de ida das oitavas de final, a equipe fez 3 a 0 no Chelsea, na Inglaterra.

Com o retorno da Bundesliga, o Bayern de Flick se sacramentou como o provável campeão. Os 13 gols marcados e apenas quatro sofridos em quatro partidas resultaram em 12 pontos e o título praticamente encaminhado, o oitavo consecutivo do clube.

Fora o resultado, o desempenho do Bayern e as variações chamam a atenção, Flick consolidou Kimmich no meio-campo e deu maior liberdade a Thomas Muller, que se tornou um dos principais jogadores da equipe na temporada, após início apagado sob o comando de Kovac.

Diante do Fortuna Dusseldorf, no último fim de semana, o treinador escalou "quatro laterais" para formar a linha ofensiva (Pavard, Hernández, Alaba e Davies) e permitiu ao Bayern ter uma atuação dominante, refletida na goleada incontestável por 5 a 0.

Flick (dir) ao lado de Joachim Low no banco de reservas alemão na final da Copa de 2014 - Getty Images
Flick (dir) ao lado de Joachim Low no banco de reservas alemão na final da Copa de 2014
Imagem: Getty Images

Assim, depois de anos como peça coadjuvante da revolução vitoriosa do futebol alemão, Flick se aproxima da primeira glória como protagonista, e logo no maior clube do país.

Restando cinco rodadas para o fim da Bundesliga, o Bayern de Munique possui sete pontos de vantagem em relação ao vice-líder Borussia Dortmund (67 a 60), justamente uma das vítimas da poderosa e ofensiva equipe de Hans Flick nesta retomada do futebol alemão pós-paralisação em virtude do novo coronavírus.