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Rafael Oliveira - A imprevisível Liga dos Campeões está de volta! O que esperar e observar?

Quase cinco meses depois, a principal competição europeia de clubes retorna. O ano é atípico no mundo inteiro, e não seria diferente na Champions.

O formato

A sede única foi uma boa saída da Uefa para evitar a constante circulação entre países em cenários diferentes. Os confrontos de oitavas ainda terão volta. A partir das quartas, tudo em Lisboa.

Decidir os duelos em 90 minutos aumenta a imprevisibilidade e a margem de aleatoriedade de um torneio que já estava equilibrado. Mais ainda: concentrar a reta final em três semanas muda a dinâmica e reforça a importância do momento.

Deixa de ser a história que se desenvolve ao longo da temporada e passa a ter cara de Copa do Mundo (em que um ciclo de quatro anos se decide em um mês).

Estágios diferentes

Outro detalhe é o impacto da pandemia nos calendários nacionais. Cada país tomou suas decisões e as ligas tiveram desfechos distintos. A Alemanha foi a primeira a retomar e consequentemente encerrou a Bundesliga no fim de junho. Espanha, Inglaterra e Itália voltaram depois, finalizando os campeonatos mais perto do recomeço da Champions. Já a França nem retomou a Ligue 1.

Ou seja: O Bayern, embalado no início do ano, voltou muito forte e acabou tendo uma segunda parada. Descanso positivo ou embalo comprometido? Enquanto isso, PSG e Lyon batalham para recuperar o ritmo. As finais das duas copas nacionais até foram realizadas, mas sem uma sequência que represente continuidade.

Na Espanha, a volta de La Liga deu confiança ao campeão Real Madrid e ampliou as dúvidas sobre o Barcelona. Ambos ainda precisam concluir os duelos das oitavas. Zidane conseguiu resultados relevantes alternando sistemas e escalações, ainda que sem um desempenho empolgante. Será o bastante para reverter a situação contra o Man City de Guardiola?

Já o Barça tem um perigoso Napoli pela frente e a grande dúvida em relação ao desgaste interno e o ambiente para Quique Setién. Messi já criticou o nível apresentado e o técnico tentou diversas adaptações, mas ainda sem sucesso.

Pressão, desfalques e novidades

Em etapas diferentes da tabela, PSG e Juventus terão que lidar com a pressão. No caso da Juve, embora o nono título consecutivo da Serie A tenha sido confirmado, o futebol não agradou e o futuro de Sarri é incerto. Enfrenta um imprevisível Lyon com a necessidade de correr atrás do placar (perdeu por 1x0 na ida, na França). No distante sorteio de dezembro, era o confronto de maior favoritismo nas oitavas. Se o funcionamento coletivo não convence, a capacidade de decisão de Cristiano Ronaldo e o nível da temporada de Dybala não podem ser ignorados.

O PSG tem outro tipo de pressão. Enfim superou o trauma das oitavas, mas revive outro fantasma: o dos desfalques. Sem Mbappé (lesionado) e Di María (suspenso por um jogo), o peso sobre Neymar tende a aumentar. Só que a Atalanta é duplamente perigosa. Primeiro, pela qualidade apresentada. E segundo pelo status de favoritismo do clube francês em um lado menos badalado da chave (mas não necessariamente menos complicado).

A Atalanta também tem seu problema. Ilicic, destaque contra o Valencia nas oitavas, está fora. Menos mal que o nível foi mantido no período pós-parada com outras alternativas. Zapata, Muriel, Malinovskyi e Pasalic dão opções de características diferentes para Gasperini compor o trio ofensivo (que tem Papu Gómez como nome fixo).

No Bayern, o tema importante é a lesão de Pavard. Muito pela possível consequência, que seria deslocar Kimmich novamente para a lateral, retirando um organizador importante do meio.

Se o Man City não deve contar com Aguero na volta das oitavas, para o Real Madrid, perder Sergio Ramos significa não ter o capitão e também um goleador decisivo nas últimas partidas.

O RB Leipzig perdeu seu principal goleador. Timo Werner não ficou para a reta final e já se apresentou ao Chelsea. No adversário Atlético de Madrid, Simeone recuperou Carrasco e ganhou uma ótima alternativa em Marcos Llorente, que cresceu na nova função de atacante.