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Leila quer vender prata olímpica e ajudar doentes, mas não acha comprador

Ninguém nunca vai tirar de Leila Sobral o posto de vice-campeã olímpica do basquete feminino em Atlanta-1996. Mas a medalha de prata recebida ao lado de Paula, Hortência e Janeth não faz mais qualquer diferença na estante da caçula das irmãs Sobral. Por ela, o objeto seria leiloado e a renda, revertida para uma ONG que cuida de crianças com câncer. Acontece que não apareceu nenhum interessado na medalha histórica.

"Eu já ganhei a medalha, já tive meu momento, mas tenho que ajudar o Brasil de alguma forma. Deixar a medalha na prateleira, para que vai servir eu ter ganho? Todo mundo sabe o que aconteceu, tem os vídeos, mas eu quero fazer algo grande e ajudar meu semelhante. Eu quero fazer alguma coisa que vai acrescentar uma pedra na minha coroa na minha outra vida. Se posso transformar em dinheiro para ajudar outras pessoas é bem melhor. As moedas se enferrujam, mas a vida não. Nessa pandemia tá claro. A medalha não vale nada, vale a vida", disse Leila ao Olhar Olímpico.

A ideia de se desfazer da medalha surgiu bem antes da pandemia, ainda em 2018, quando Leila ainda mantinha um projeto pessoal no qual ensinava crianças carentes a jogarem basquete em São Carlos, interior de São Paulo, onde mora. Como tantas iniciativas do gênero, o projeto foi encerrado por falta de dinheiro. Sem apoio da prefeitura ou de Lei de Incentivo, ela bancava a escolinha tirando do próprio bolso.

A venda da medalha serviria para ajudar outro projeto que ela julga mais nobre, da ONG Vivendo, Amando e Aprendendo, V.A.A., tocada pela amiga Márcia Regina Silva, psicóloga do time de basquete de Santo André. "É uma ONG muito carente, sempre está precisando de ajuda. Apareceu a ideia e achei que seria muito mais significante, então eu doei a medalha para a ONG e falei para a Márcia para ela tentar arrecadar alguma coisa", conta a ex-ala/pivô.

Leila pesquisou na internet e calculou que a ONG poderia arrecadar US$ 40 mil. Mas, depois de quase dois anos, as duas desistiram de tentar negociar a medalha de prata de Atlanta, por falta de interessados. "Ela tentou fazer alguns leilões, procurou casa de leilões, mas não teve interessados. Eu achava que a medalha atrairia interessados, empresários, mídia, mas não foi isso que aconteceu", lamenta. A medalha foi devolvida pela amiga e enviada diretamente a outro amigo, um fã, que tem um museu particular sobre a ex-jogadora em Santo André.

A ex-jogadora acompanhou a saga de Esquiva Falcão, boxeador, que também botou sua medalha de prata de Londres-2012 à venda e disse ter recebido proposta de US$ 50 mil. Ela lamenta, porém, que o basquete feminino não tenha o mesmo reconhecimento. E o mesmo valor. "O basquete é uma modalidade conhecida, mas não tem tanto apoio. Eu pensei que alguma coisa a ONG iria conseguir. Achei que a gente poderia ter feito alguma coisa de útil para crianças que realmente precisam."