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Ingresso sobe, mas Flu tem prejuízo no Maracanã; grupo defende Laranjeiras

O Fluminense segue com certa dificuldade em tornar o Maracanã uma fonte de lucro para o clube. Apesar de ter feito insistentes testes, mudanças e evoluções em diversos aspectos, o Tricolor começou 2020 com problema parecido com as últimas temporadas: prejuízo com jogos de menor apelo, mesmo com o aumento no preço dos ingressos. Curiosamente, após a vitória sobre a Portuguesa, o técnico Odair Hellmann pediu uma diminuição no valor das entradas.

"A torcida, né, é final do mês, torcedor paga contas. Mas o torcedor que veio nos ajudou muito. É uma característica da nossa torcida. Essa simbiose vai acontecendo também gradativamente, com a evolução da equipe. Se puder botar o preço mais barato também ajuda, né? (risos)", comentou o treinador.

Mas o Flu vive dificuldade para chegar ao mundo ideal de entradas baratas, grandes públicos e dinheiro no bolso. Em situação financeira difícil e com seguidos prejuízos no estádio, o Tricolor tenta compensar com o programa de sócio-torcedor, que está crescendo, mas muito longe do que o clube precisa para ter nele uma grande fonte de receitas.

A comparação da estreia do Cariocão com o último jogo do Brasileirão no ano passado, contra o Fortaleza, mostra os ingressos com preço dobrado (a inteira sai a R$ 40, contra R$ 20 em 2019), e quatro vezes menos público. Ao todo, foram R$ 588.724,09 gastos para a estreia tricolor em seu estádio em 2020. Contra o Fortaleza, a mesma rubrica mostra R$ 661.254,42 em custos.

FOTO DE MAILSON SANTANA/FLUMINENSE FC
Imagem: FOTO DE MAILSON SANTANA/FLUMINENSE FC

É bem verdade que outras fontes de renda não estão presentes no borderô, como bares, estacionamento e venda de produtos do clube. Ainda assim, o demonstrativo financeiro que mostra o prejuízo de R$ 353.460,09 contra a Portuguesa, com 10.142 presentes, revela valores de difícil entendimento: o Tricolor reduziu a despesa operacional, mas manteve altas despesas em um jogo em que recebeu praticamente quatro vezes menos público que no confronto com o Fortaleza. Apesar dos 39.965 presentes naquele jogo, a partida rendeu prejuízo de R$ 215.519,42.

Alguns custos aumentaram, como o aluguel do estádio, que passou de R$ 90 mil para R$ 120 mil (aumento de 33%), os camarotes, que passaram de R$ 15.080,00 para R$ 34.840,00 (aumento de 130%) e uma nova despesa, chamada de "contas de consumo", que custaram R$ 70 mil aos cofres tricolores. Esta cobrança não estava presente no borderô da última partida do Flu no Brasileirão.

Torcedores defendem reforma de Laranjeiras

Por isso, torcedores voltaram às redes sociais para defender a revitalização de Laranjeiras, incluindo membros do grupo que produziu um projeto para reformar o antigo estádio. O plano, entretanto, está em compasso de espera, apesar de receber o apoio público da gestão Mario Bittencourt, que repetiu o antigo presidente, Pedro Abad, e criou um grupo de trabalho para auxiliar os grupo Laranjeiras XXI, que toca o projeto.

A reforma do estádio na sede social do clube é demanda antiga de alguns torcedores nas redes sociais. Com a autorização pelo clube para que um grupo toque o projeto de revitalização, o assunto permanece em voga e costuma voltar ao primeiro plano, principalmente quando o Flu registra prejuízos com o Maracanã, considerado grande demais para jogos do Campeonato Carioca, por exemplo.

A ideia é ter o estádio com capacidade para 15 mil pessoas, o que seria suficiente para jogos de pequeno apelo, como do Estadual e das primeiras fases da Copa do Brasil, além de confrontos contra times de menor expressão no Campeonato Brasileiro, evitando prejuízos no Maracanã.

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