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Diretor comercial da F-1 cai entre sucesso da Netflix e streaming criticado

O anúncio da não-renovação do contrato do diretor comercial da Fórmula 1, Sean Bratches, feito na última semana, era esperado desde meados do ano passado nos bastidores da categoria. Em três anos no cargo, o norte-americano balançou entre a grande bola dentro do acordo com a Netflix para mostrar os bastidores da categoria, e o bastante criticado serviço de streaming, que inclusive ainda não é disponibilizado no Brasil.

Bratches fechou contratos com apenas duas novas provas - com o Vietnã e a Holanda - e falhou em uma das grandes metas da Liberty Media em seus três primeiros anos à frente da Fórmula 1: aumentar significativamente a presença da categoria nos Estados Unidos.

Sob seu comando, a F-1 fechou um acordo de transmissão bastante vantajoso para a ESPN e teve crescimento de 21% no número de telespectadores no país, mas as quantias absolutas ainda são pequenas: a média de espectadores por prova não passa de 560.000. A audiência média da Nascar, embora esteja caindo, passa de 2.5 milhões de espectadores por prova.

Outro ponto que provou ser mais complicado do que se previa para a Liberty foi ter mais de uma corrida em solo norte-americano, além da prova realizada desde 2012 em Austin. Uma corrida em Miami chegou a ser anunciada em duas oportunidades, mas o projeto está enfrentando resistência popular por usar vias urbanas. Com isso, a Liberty busca outras alternativas no país.

No campo global, a grande bola dentro de Bratches foi o acordo com a Netflix para a produção da série Drive to Survive (Dirigir para Viver, em português), que resgatou velhos fãs e conquistou uma nova geração para o esporte, algo que vinha sendo um desafio nos últimos anos. A segunda temporada da série tem previsão de estreia para o final do mês que vem, e desta vez contará com as duas equipes que ficaram de fora da temporada de estreia, Mercedes e Ferrari.

Mas a grande aposta comercial da Liberty Media para a Fórmula 1 não decolou como se esperava. A F1TV, serviço de streaming que ainda não está disponível no Brasil devido ao acordo de exclusividade da TV Globo, sofreu desde a estreia, no início de 2018, com falta de estabilidade. O sistema vem sendo melhorado aos poucos, mas mesmo durante boa parte da última temporada, era comum ler relatos de fãs que não conseguiam acompanhar as corridas.

O investimento com essa tecnologia e outras mídias sociais vem pressionando as contas da categoria, que viu seu lucro cair nos três anos de Liberty Media e Bratches no comando do setor de marketing. Além de diminuir o preço cobrado para garantir a renovação de contratos de TV - além dos negócios bastante "generosos" com a ESPN e a TV aberta chinesa - e da dificuldade de fechar contratos com novas corridas, os últimos anos também não viram um aumento significativo do número de patrocinadores novos no esporte.

É fato que o dono anterior, Bernie Ecclestone, deixou como herança um modelo de negócio não focado no longo prazo, fechando acordos milionários com TVs pagas, o que influiu negativamente na audiência mundial da F-1, e praticamente sem fazer qualquer investimento em tecnologias online e com uma estrutura absolutamente enxuta. Mas foram três anos em que o esporte encontrou mais dificuldades comerciais para crescer do que era esperado.

Bratches se mantém ligado à F-1, agora com um cargo de conselheiro. A Liberty Media ainda não anunciou quem será o substituto do norte-americano.