Esportes

Bolsonaro tirou Aguaí do mapa

Acabou.

Aguaí, minha cidade querida, acabou.

Saiu do mapa.

Toda a população foi abduzida por uma nave espacial

Nunca mais verei a minha família: Susana, Passional, Edilene, Tia Glorinha, Maria, Vinícius, Curuzu, Kika, Cidinha, Adriana, Gustavo, Guilherme, Amiris, Tales e Carlinhos, Tia Cida...

Meus amigos se foram: Biro, Vallim, Bilou, Canguru, Frank, Zoinho, Zulu...

Não houve tempo de um último telefonema, tempo para nada. Olhei um ou outro pelo facetime antes do embarque na nave.

O desespero era enorme. Dos mais pobres aos mais importantes, havia a certeza de que não haveria volta.

Prefeito, vereadores, médicos, engraxates, moradores de rua, todos se foram.

Gordo, Tatu, Patrício e outros remanescentes do time de basquete. Meus heróis do futebol, Paulo Grilo, Mirtu do Anísio, Valdirzinho Garrincha Loiro, Paulo da Leiteria.

Dona Evani, Sandra, Regininha, Ladinho...

Meus vizinhos, Olgalice, dona Lurdes, Ana Marilda, Toninho, Silvinho, dona Arlene, Virgínia, Raquel, Cláudio Marrichi.

Foram embora também as lembranças da cidade, o coreto, a Banda Marcial, as disputas políticas.

Acabou.

Virou poeira cósmica.

Aguaí, não há mais.

Não será, como a Itabira de Drummond, apenas um retrato na parede. Não tem mais parede.

Aguaí, segundo o IBGE, tem 32148 habitantes.

O Brasil, segundo o Ministério da Saúde, perdeu 31199 pessoas para o Coronavirus.

Uma Aguaí.

Pessoas que se foram sem deixar uma lembrança, um beijo de despedida. Apenas lágrimas via celular.

Pessoas com CPF, RG, família, pessoas que deixaram órfáos, viúvas, irmãos e irmãs.

Uma cidade morta.

Uma Aguaí.

Em quantos dias será uma São João da Boa Vista, com seus 92 mil habitantes.

Façam suas apostas na mórbida roleta da morte.