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Amistosos | Pela 1ª vez, logística incomoda jogadores e vira problema da seleção brasileira

Amistosos | Pela 1ª vez, logística incomoda jogadores e vira problema da seleção brasileira

Estádios longe da lotação máxima, gramado fora das condições ideais, países com pouca tradição futebolística. Situações assim se tornaram frequentes nos amistosos do Brasil nos últimos anos. E, geralmente, chegam em partidas diante de adversários também sem grande expressão. Foi o caso do empate por 1 a 1 ontem com o Senegal, no Estádio Nacional de Cingapura.

Se as circunstâncias que cercaram o jogo foram repetições que têm se tornado corriqueiras com a seleção, a reação a elas foi inédita. Pela primeira vez, jogadores deram sinais claros de que se sentem "atrapalhados" por decisões logísticas da Pitch, a parceira da CBF que organiza e vende os amistosos. Capitão do time, Daniel Alves afirmou que o desempenho dos atletas pode ter sido afetado.

"A circunstância é um pouco difícil, estamos com fuso de 11 horas atrás, calor imensurável. Não é desculpa, mas você paga o preço. Acredito que temos que dar continuidade ao trabalho. Nunca é fácil ganhar", afirmou após o empate.

Viagem longa e fuso horário não foram os únicos pontos citados pelos jogadores. Coutinho também criticou o gramado do Estádio Nacional — e os palcos que vêm recebendo a seleção de forma geral. "O gramado estava ruim. Em alguns jogos que estamos fazendo temos atuado em gramados bem ruins. Mas isso não é desculpa, porque é ruim para as duas equipes. Temos que melhorar, ver o que precisamos resolver e ver o que temos para melhorar", afirmou.

As educadas críticas dos atletas surgem na esteira de falas mais duras de Tite durante a entrevista coletiva pré-jogo realizada ontem. "O que mais me deixou chateado foi a falta de respeito da Pitch para com a seleção brasileira e a de Senegal. Ela não nos proporcionou trabalhar no campo de jogo. Isso me deixou descontente, me deixou desconforme. Atletas de alto nível como a gente e Senegal, eles merecem a chance de treinar no campo de jogo", disparou.

Problemas de gramado não são inéditos -- e nem novidades -- na logística da seleção. Em setembro, diante do Peru, em Los Angeles, o Brasil atuou em um campo em más condições e com marcações de futebol americano.

No caso de Cingapura, o temor quanto às condições da grama já existia antes da viagem. Em 2014, quando a seleção atuou no local, ficou insatisfeita com as condições. Antes da partida de ontem, a CBF realizou vistorias. A situação foi melhor do que há cinco anos, mas ficou longe da considerada ideal.

Nos amistosos que disputou desde a Copa do Mundo de 2018, o Brasil passou por EUA (duas vezes), Arábia Saudita, Londres, Portugal, República Tcheca e, agora Cingapura. No Brasil, disputou dois amistosos preparatórios para a Copa América deste ano.

Jogadores da seleção evitam críticas públicas contundentes — ninguém que arriscar passar qualquer impressão de reclamação ou falta de desejo de vestir a camisa amarela. Nos bastidores, entretanto, alguns deles admitem a pessoas próximas que as longas viagens com jogos em períodos curtos são desgastantes. Gramados ruins causam temor de lesões, e tem surpreendido os atletas.

O sentimento pode ser resumido em outra fala de Dani Alves após o empate de ontem. Aos 36 anos, o capitão da seleção brasileira deixou o gramado comemorando o fato de o time ter passado pela partida sem nenhuma lesão. "Não nos contentamos com o resultado, mas pelo menos todo mundo saiu ileso dentro das circunstâncias".

A Pitch não se manifestou publicamente sobre as críticas de Tite ou de jogadores. O contrato com a empresa vai até 2022.

Por enquanto, não há sinais de grandes mudanças na logística da seleção — há acordo encaminhado para confrontos diante da Argentina e da Coréia do Sul, em novembro, na Arabia Saudita e nos Emirados Árabes. Antes disso, nesse domingo, o Brasil encara a Nigéria, novamente no Estádio Nacional de Cingapura, às 9h.