Esportes

Além do basquete: Kobe ganhou Oscar, escreveu livro e tinha projeto social

O ex-jogador de basquete Kobe Bryant, que morreu em um acidente de helicóptero neste domingo (26), não brilhou apenas dentro do esporte. Em 2018, ele conquistou um Oscar pelo curta-metragem animado "Dear Basketball". O ídolo do Los Angeles Lakers escreveu e foi o produtor executivo da obra, escolhida como a melhor do ano.

"Dear Basketball" é um curta baseado em um poema escrito pelo próprio Kobe Bryant para o site "The Players' Tribune", no qual Kobe anunciou sua aposentadoria do basquete no dia 29 de novembro de 2015.

O discurso do atleta emocionou a plateia: "Não sei o quanto isso é possível... Nós, como jogadores de basquete, deveríamos calar a boca e driblar", após receber o prêmio, fazendo uma alusão a um comentário de uma âncora de TV americana, que se referindo a LeBron James insinuou que atletas não deveriam se manifestar politicamente; deveriam calar a boca e driblar.

"Mas fico feliz que fazemos um pouco mais que isso. Obrigado, Academia, por essa honra incrível. Obrigado, John Williams, por uma trilha tão maravilhosa. Obrigado, Verizon, por acreditar no filme. Obrigado Molly Carter, sem você não estaríamos aqui. Agradeço à minha esposa, Vanessa, e às minhas filhas: Natalia, Gianna e Bianka. Amo vocês com todo o meu coração, vocês são a minha inspiração", disse, à época.

Apesar de premiado, Kobe não integrou a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, o que era esperado, uma vez que o ex-atleta ganhou o prêmio máximo da categoria. O Conselho dos Governadores, responsável pela visão estratégica da Academia —desde finanças até a adesão dos profissionais—, alegou que a lenda do Los Angeles Lakers não demonstrou evidências suficientes de uma grande carreira dentro da indústria cinematográfica.

Projeto social

Ao lado da mulher, Vanessa, com quem se casou em 2001, Kobe tocava um projeto social chamado Fundação da Família Kobe e Vanessa Bryant. A ONG tinha como missão melhorar a vida de jovens e famílias carentes, tanto nos Estados Unidos como em outros países do mundo, e a incentivar os jovens a permanecerem ativos por meio do esporte.

A Fundação fornece recursos financeiros, desenvolve programas e aumenta a conscientização sobre questões relevantes, a fim de fortalecer as comunidades carentes por meio de oportunidades de enriquecimento educacional e cultural.

A entidade foi criada em 2007 pelo casal. Por meio dessa iniciativa, Kobe e Vanessa patrocinaram experiências de enriquecimento internacional para estudantes universitários sem condições financeiras e forneceram bolsas de estudos nacionais e internacionais para a Academia de Basquete Kobe Bryant. Após o furacão Katrina, a ONG trouxe oito meninos de Nova Orleans, devastada pela tempestade, para integrar a academia.

Kobe Inc.

Em 2013, o ex-atleta fundou a Kobe Inc —marca de produtos que levam seu nome. No mesmo ano, adquiriu 10% da bebida isotônica BodyArmor por US$ 4 milhões (cerca de R$ 16,7 milhões). Quando anunciou sua aposentadoria, em 2016, lançou um box de cartas junto com a Panini, a 'HeroVillan', com cards que mostravam toda a carreira de Kobe desde o início até o fatídico fim.

No ano passado, Kobe abriu, ainda, a Mamba Sports Academy —ele era conhecido como Black Mamba. O espaço oferece treinamento para jovens que querem se profissionalizar no esporte —não apenas no basquete, mas em qualquer modalidade. Pouco antes, em 2018, ele produziu e lançou com a ESPN + um programa de televisão chamado Detail. A ideia por trás da produção era explicar para leigos as regras do basquete e as estratégias por trás de grandes atletas do esporte.

Ainda no ano passado, Kobe permaneceu focado no público infanto-juvenil: lançou o livro ' Wizenard Series: Training Camp ' que conta a história de um treinador de time de basquete numa mistura de fantasia e magia. Pouco antes do lançamento do livro, ele deu uma entrevista à revista americana Slam: "Praticar esportes é algo mágico. É o que quero mostrar às crianças com o livro e ensiná-las, inclusive, a processar suas emoções —independentemente de serem boas, más ou indiferentes. No livro, ensinamos-lhes compaixão, empatia e ética no trabalho. É assim que acredito que devemos contar histórias".