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Morte e carnaval | O que faz com que Bom Sucesso seja uma excelente novela?

Morte e carnaval | O que faz com que Bom Sucesso seja uma excelente novela?

Bom Sucesso chegou ao fim com um feito e tanto: conseguiu manter o ritmo inicial ao longo de todo o período em que esteve no ar na faixa das sete da Globo. Mais do que isso, mostrou, em uma mistura inusitada de morte, literatura e Carnaval, que é possível apresentar uma história com simplicidade e, melhor, inteligência.

Ao honrar o gênero, Bom Sucesso prova que a telenovela ainda tem muita lenha para queimar. A simplicidade na composição dos personagens, na direção e na naturalidade da importantíssima mensagem de valorização à literatura que a trama passou encontrou ainda mais força na inteligência do texto de Paulo Halm e Rosane Svartman.

Os autores trataram de um tema espinhoso como a morte com leveza, através de uma mensagem positiva, e inseriram na mistura o Carnaval, trazendo alegria às trajetórias de Paloma (Grazi Massafera) e Alberto (Antonio Fagundes).

Bom Sucesso não se esquivou de polêmicas, abriu espaço para a diversidade, dialogou abertamente com o atual momento da sociedade e ainda fez piada com frases estapafúrdias ditas pelo presidente Jair Bolsonaro e reproduzidas nos absurdos cometidos pelo vilão Diogo (Armando Babaioff).

Diogo, aliás, foi um dos grandes acertos da história: encontrou um intérprete que soube incorporar os elementos cinismo, arrogância e vaidade sem subir o tom e colocou Babaioff em outro patamar de carreira. A dobradinha com Gisele (Sheron Menezzes) também funcionou desde a primeira cena dos dois.

Cumplicidade, por sinal, foi algo que sobrou na história: Peter (João Bravo) e Sofia (Valentina Vieira), as crianças prodígios, e Paloma e Alberto, são dois exemplos de duplas que funcionaram perfeitamente. O elenco, muito bem entrosado, não teve uma sequer derrapada e até as participações especiais (Marisa Orth, Marcelo Faria, Angela Vieira) ajudaram a engrandecer a trama em momentos pontuais.

O folhetim teve sim uma pequena dobra --justiça seja feita-- na época do acidente de Gabriela (Giovanna Coimbra) e no drama da doação de sangue pelo pai mau-caráter. O trecho não comprometeu, apenas pecou por se estender um pouco mais que o necessário. Por outro lado, também serviu para injetar bastante ação à comédia romântica.

Por fim, o folhetim das sete consagrou Grazi Massafera como estrela do primeiro time da Globo. A cena em que Paloma e Alberto desfilam no Carnaval foi apoteótica e emocionante. Gravada na folia de 2019, a sequência deixou claro que os intérpretes já haviam encontrado o tom de seus personagens antes mesmo de a novela entrar no ar.

O final da história já vinha sendo trabalhado havia uma semana, com os desfechos de coadjuvantes apresentados aos poucos.

Sem surpresa, e tal qual a novela como um todo, o capítulo derradeiro emocionou, mas nem por isso escapou dos clichês do gênero: teve sequestro (relâmpago, mas teve), gravidez, casamento (ecumênico, é verdade), e até momentos A Viagem (1994), com Cecília (Ana Lucia Torre) conduzindo Alberto à morte, as alucinações de Diogo na cadeia e o bem escrito diálogo entre Paloma e o editor.

Faltou apenas uma explicação sobre como Diogo e Gisele conseguiram escapar do incêndio. Salve-se Quem Puder, a substituta da faixa, tem uma missão bastante ingrata: manter o público conquistado pela antecessora. Desta vez, o nível de exigência por qualidade está altíssimo. Bom Sucesso fez muito e fez bonito.


Este texto não reflete necessariamente a opinião do Notícias da TV.


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