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Ícone da Sapucaí | Eterna rainha, Luma revela seus sambas e fantasias inesquecíveis

Ícone da Sapucaí | Eterna rainha, Luma revela seus sambas e fantasias inesquecíveis

Quando o assunto é rainha de bateria, impossível não pensar em Luma de Oliveira. Conhecida como a rainha das rainhas, Luma escreveu sua história de modo brilhante na Marquês de Sapucaí. Seu corpo perfeito, samba no pé e a alegria em estar na Avenida marcaram uma geração de fãs do Carnaval.

Afastada da folia desde 2012, quando foi enredo no desfile da Estácio de Sá, Luma diz sentir saudades, mas não pensa em voltar a desfilar. "De acordo com o que acho sensato na vida, para mim, é melhor deixar como está. O que fiz já foi de bom tamanho", conta, em entrevista exclusiva ao UOL.

Sair sabendo que ainda podia continuar, segundo a musa, também não deixa de ser uma boa decisão. "Tenho certeza que fiquei na memória afetiva de quem me viu desfilar. Se eu tivesse tocado o coração de uma pessoa já estaria feliz, mas parece que toquei em um número bem maior. Então já sou muito feliz e grata por isso."

O fato de não estar desfilando não é motivo para ela se afastar da Marquês de Sapucaí. Este ano, inclusive, Luma pretende assistir aos desfiles de pertinho. "Tem alguns anos em que viajo no Carnaval, mas sempre tento dar um jeitinho de voltar para ver o desfile das campeãs. Em 2020 vou rever meus amigos do samba, assistir emocionada e feliz da vida. Acho que assim também é uma forma de participar do espetáculo."

Samba inesquecível

"Sempre fui apaixonada por samba-enredo, mesmo antes de começar a desfilar na avenida. Faço aniversário em dezembro, então as pessoas já sabiam o que me dar de presente: o CD de sambas-enredo do Carnaval. Acho que eu ganhava uns dez por ano, porque era meu presente preferido."

Ela cita os que mais marcaram: "O que elejo por empolgação é o da União da Ilha de 1882, 'É hoje'", diz.

"Um dos mais bonitos é o da Vila Isabel, escrito por Martinho da Vila, em 1984, chamado "Para tudo se acabar na quarta-feira". Esse é lindo, poesia pura. Teve um da Mangueira, em 1988, chamado "Cem anos de liberdade, realidade ou ilusão", que é muito emocionante e impactante."

Fantasia inesquecível

Divulgação
Imagem: Divulgação
"Uma fantasia que me marcou bastante foi na Viradouro, em 2001. A bateria vinha representando a luxúria e eu vim toda de vermelho. Eu não estou elegendo essa fantasia por ter achado a mais bonita, e sim porque me marcou, teve um simbolismo especial", conta.

"Durante o desfile eu e os ritmistas ajoelhávamos na Avenida. Eu usei um esplendor de penas vermelhas e toda hora que eu me ajoelhava batia um vento e mexia as penas. O vento estava batendo durante todo o desfile, mas eu só sentia quando fazia essa reverência. Foi bem bonito e mágico. Coisas de Deus e da avenida. Essa magia e força que só sentimos lá na Sapucaí. Essa fantasia tem algo que fica um pouquinho acima das outras. Fora que ela era linda e leve, como eu gostava."

Relação com o Carnaval

"O Carnaval começou na minha vida muito cedo, com cinco anos de idade. Lembro que sempre me fantasiava de marinheira e ia para matinês em clubes. Fiquei por muito tempo brincando em clube", lembra.

"Na adolescência, adorava ir a bailes de Carnaval também em clubes e saía em blocos de rua. Na Avenida, minha estreia foi 1983, em uma ala da Portela. Gostei tanto que, no ano seguinte, saí em ala de novo. Já como rainha desfilei por 16 vezes. Em 1993 desfilei com ritmistas na Mangueira e em 1994 saí atrás da bateria. Em 2012 fui enredo na Estácio de Sá."

Friburgo e Niterói

"Eleger um carnaval inesquecível é impossível, porque todos são inesquecíveis para mim, desde aqueles em que eu brincava na matinê dos clubes aos cinco anos de idade. Tiveram vários blocos em Friburgo, em Niterói, vários desfiles na avenida, bailes noturnos em clubes, ensaios de quadra que antecedem o Carnaval."

"Sou capaz de me lembrar de detalhes de todos, pois todos me marcaram da melhor forma possível. Não teve um preferido. Estão todos em primeiríssimo lugar, cada um de uma forma especial."