Entretenimento

Folia carioca | BBB no Carnaval? Rio anuncia drones em blocos e barreiras em megablocos

Folia carioca | BBB no Carnaval? Rio anuncia drones em blocos e barreiras em megablocos

Ordem e disciplina. Coibição e punição. Essas são as palavras de ordem para o Carnaval carioca deste ano proferidas na manhã de hoje pelo secretário municipal de Envelhecimento Saudável, Qualidade de Vida e Eventos, Felipe Michel.

O secretário, encarregado pela prefeitura para comandar a festa de Momo, destacou a implantação pela primeira vez no Carnaval do Rio de barreiras de segurança nos acessos aos desfiles dos megablocos, no centro do Rio. E enfatizou a proibição aos desfiles de blocos de rua não autorizados pela Riotur (Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro).

As chamadas" barreiras de segurança" vão fiscalizar a entrada do público nos megablocos. Grades de segurança vão afunilar a entrada dos foliões em 24 barreiras nos acessos às avenidas Primeiro de Março e Presidente Antônio Carlos, no centro.

"Essa ação de cercar todo o entorno dos megaboocos é fundamental. Assim, vamos zerar o número de feridos por armas brancas e materiais cortantes", prometeu o presidente da RioTur, Marcelo Alves. As barreiras devem também afastar a entrada de ambulantes não credenciados na área próxima aos megablocos.

No ano passado, uma confusão no Fervo da Lud, da cantora Ludmilla, na região central do Rio, acabou com feridos após a policiais militares usarem gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral.

O objetivo das barreiras, que terão detectores de metais, será coibir a entrada de garrafas, armas brancas e materiais perfurocortantes. No total, serão empregados 1.200 PMs —o número de policiais em cada barreira vai variar conforme o fluxo de pessoas.

Em 2018, após uma série de incidentes, roubos e tumultos no Carnaval, o Rio sofreu intervenção federal, com a segurança pública ficando a cargo das Forças Armadas.

"Vamos coibir esses vândalos, disfarçados de foliões, que só querem cometer delitos e causar baderna. Quem quiser ingressar com esses materiais, vai pensar duas vezes. Quem quiser passar mesmo assim... Deus estará no controle do nosso trabalho", enfatizou Felipe Michel.

Big Brother da folia

Outra novidade deste Carnaval será uma espécie de Big Brother da folia. Drones e operadores com pequenas câmeras e mochilink —um equipamento parecido com uma mochila que permite transmitir imagens em tempo real— vão filmar os blocos nas ruas.

Tudo será assistido ao vivo no COR (Centro de Operações Rio) pela equipe composta por integrantes de vários órgãos municipais, que vão trabalhar integrados durante o Carnaval.

"O mochilink não é um espião, como foi apelidado pela imprensa e já deu até dor de cabeça. É pra transmitir como estão os blocos aos órgãos municipais e estaduais no COR", explicou Felipe Michel. O secretário não especifica em quais blocos a tecnologia será usada, disse apenas que será empregada "nos grandes blocos".

"As imagens servem para definir as ações relativas a trânsito, segurança, limpeza", complementou o secretário

Multas de até R$ 10 mil a blocos não oficiais

A Prefeitura do Rio reiterou que vai aplicar multas nos blocos não oficiais, o que provocou reação de foliões e grupos que defendem o carnaval espontâneo nas ruas da cidade.

"Que seja um Carnaval de amor, paz, respeito, mas de ordem. Bloco não autorizado traz lixo, para o VLT, para o trânsito, é perigoso para nossa cidade", disse Michel, a despeito de a primeira grande confusão no período pré-carnavalesco ter acontecido exatamente na abertura oficial do Carnaval comandado pela prefeitura.

Na dispersão do megabloco da Favorita, na orla de Copacabana, a Guarda Municipal usou bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral contra foliões, que responderam lançando garrafas.

Apesar do tumulto em Copacabana, Felipe Michel afirmou que um dos principais problemas do Carnaval carioca são os blocos espontâneos.

"Eles são perigosos para nossa cidade. A partir do momento em que tem desfile de bloco não autorizado, isso cria transtorno e, consequentemente, traz violência", disse o secretário, para complementar: "Só quem é autorizado pela Riotur pode fazer bloco. Quem não for autorizado pode sofrer punição."

Segundo estimativas do próprio Michel, as multas que podem ser aplicadas aos blocos não oficiais devem ficar entre R$ 5 mil e R$ 10 mil. Segundo ele, a variação das multas levará em conta o lixo deixado pelo bloco não autorizado —o secretário não detalhou, contudo, como poderá atribuir determinado volume de lixo ao bloco em questão.

Michel também disse que o responsável pelo bloco será identificado e sofrerá a autuação em seu CPF. O secretário não explicou como o responsável pelo bloco será identificado.

"A multa também vai variar de acordo com os recursos que empregarmos: mão de obra, veículos", acrescentou o presidente da Comlurb, Paulo Nogueira.