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Autora de livro que 'previu' pandemia em 2020 não lembrava de trecho: 'Levei um susto'

Autora de livro que 'previu' pandemia em 2020 não lembrava de trecho: 'Levei um susto'

Melissa Tobias ficou surpresa ao acordar na última segunda-feira, 30, com centenas de mensagens em suas redes sociais sobre o livro “A realidade de Madhu”, escrito em 2013 e lançado há seis anos. Mais precisamente sobre a página 183. É que em sua obra de ficção científica existe um trecho, no mínimo, curioso, que “previu” uma pandemia viral que ocorreu em 2020 e matou 3 bilhões de pessoas no planeta Terra por conta de um vírus psicossomático. Premonição? Vidência? Profecia?

“Nada disso. Não sou médium nem vidente, não vejo espíritos e não falo com ETs, infezlimente. Adoraria, inclusive”, descarta ela, que sequer se lembrava te ter escrito sobre o assunto: “Foi muito louco porque quando recebi a foto da página do livro no meu celular logo pensei: ‘vou desmentir essa fake news’. Mas quando abri o livro, estava lá. E, juro, eu não recordava. Fui mostrar para o meu marido que também ficou surpreso”.

Melissa, porém, se apressa em dizer que, sim, foi ela mesma que escreveu, mas na época se baseou no estudo da Naturologia e dos escritos de Chico Xavier. “Existia uma profecia do Chico Xavier que diz que 2019 seria o fim de uma Era. Que iríamos atravessar uma espécie de portal. Como estudo Naturologia, e ela tem como um dos pontos falar das doenças que são quase todas psicossomáticas, ou seja, criadas pelo nosso subconsciente, na nossa cabeça, calhou de juntar as peças”, justifica.

Como o livro foi escrito em 2013, Melissa imaginava que 2020 fosse um período de espaço tempo um futuro distante. A história de Madhu, protagonista, surgiu após um sonho. “Sonhei com uma menina que estava no futuro e encontrava um ser híbrido, se apaixonava por um androide e por aí vai. Nem era para virar um livro. Só que quando vi tinha 150 páginas e pensei, por que não?”, recorda ela, que é designer de interiores e foi comissária de voo antes de se jogar nas letras.

Com muito custo, Melissa peregrinou atrás de uma editora e acabou tirando do próprio bolso o dinheiro para a publicação. “Na época, a tiragem foi de 2 mil exemplares. Gastei cerca de R$ 15 mil e até hoje não recuperei”, lamenta ela, sobre a primeira obra que fez.

Até hoje. Porque o livro será reeditado após seis anos. Melissa assinou a renovação de contrato com o Grupo Novo Século, de São Paulo, e novos livros serão impressos e disponibilizados em e-book. “Ainda estou surpresa com tudo isso. Não vamos mudar nada nele. Mas quero deixar claro que se trata de uma ficção científica, gênero que eu escrevo. Não é um livro espírita nem de autoajuda”, avisa.

Uma pandemia para despertar o amor ao próximo

“Em 2020, quando a Terceira Realidade terminou de envolver todo o planeta Terra, uma pandemia global matou mais de três bilhões de terráqueos. Foi um momento muito caótico que durou dois anos. Foi uma pandemia viral psicossomática que penetrava somente em corpos incompatíveis com a vibração de amor ao próximo. Não havia para onde fugir”.

A sinopse apresenta a história da seguinte maneira: “Nesta ficção científica, Madhu é abduzida por uma nave intergaláctica. Abduzida e confinada na Ala dos híbridos, Madhu terá que descobrir a razão do interesse dos alienígenas por ela. Na busca por essa descoberta, faz amizade com uma híbrida e se apaixona pelo androide Niki. A bordo da colossal nave extraterrestre, Madhu aprenderá importantes lições, superando medos profundamente enraizados”.

Melissa ainda está impactada pela procura por seu livro, esgotado em todas as livrarias do país. Aos 42 anos, ela já não esperava a fama com a escrita. Fã de sci-fi, ela sabe que o nicho para o qual escreve ainda é restrito no Brasil. Mas apesar de dizer que tudo não passa de um faz de conta, ela admite que pode não ter sido por acaso. “Não creio em coincidências. Sou kardecista e creio que existam explicações que vão além da lógica. Quando escrevo, meu estado é quase meditativo. Talvez por isso eu tenha esquecido o que escrevi. Mas não creio que 3 bilhões de pessoas vão morrer. De jeito nenhum. Tem nem cabimento”, avalia.

Mãe de dois fiulhos, um de 13 e um de 9, Melissa conta que o livro fez sucesso entre os meninos da escola do mais velho em Brasília, onde mora. Originais de outras histórias ela mantém guardados. “Quem sabe mais para a frente não publique outros. Gosto de escrever sobre o futuro”, diz ela, que escreveu outro em que mostrar o tal do futuro após a terceira guerra mundial.

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