Educação

Urubus e a carniça: a disputa pelo Sistema S

Urubus e a carniça: a disputa pelo Sistema S

A julgar pelo noticiário da imprensa, é feroz a briga dentro do governo para meter a mão nos recursos do Sistema S. Entre os abutres estariam o Ministério da Economia, o Ministério da Cidadania e a Casa Civil. Três aspectos chamam a atenção.

Do lado do Sistema S – como seria de se esperar – predomina o pragmatismo. Eles sabem da força que têm mas também sabem que estão na mira de cortes. Portanto estariam dispostos a oferecer os anéis para ficar com os dedos.

Do lado do Ministério da Economia também parece predominar o pragmatismo – não dá para brigar com o Sistema S dado o seu forte nível de apoio no Congresso Nacional. É preciso negociar e ver o que dá para arrancar para cobrir buracos na economia.

Nada disso é relevante – pois em nada vai melhorar o país. O que mais chama atenção é a total omissão do MEC e da discussão sobre o ensino médio técnico. O Sistema S foi criado originalmente e se desenvolveu a partir da na década de 30 para formar mão de obra qualificada para a indústria e comércio. Hoje abrange todos os setores da economia. Na época essa formação se dava por meio de aprendizes. Hoje se dá – em todo o mundo – pelo ensino médio técnico e o ensino pós-meio ou tecnológico. Esta deveria ser a função do Sistema S – de resto ele é totalmente preparado para isso. Como não deveria – embora o faça com esmero- cuidar de escolas de ensino regular.

Tudo indica que a necessidade de desenvolver uma estratégia para formação de capital humano ainda não chegou aos ouvidos do Ministério da Economia. E, mais uma vez, o MEC vai perder o bonde da história. O Brasil carece de estadistas, de pessoas de visão. E sem elas jamais daremos o salto de qualidade na educação. Seremos apenas abutres, procurando carniça.