Educação

Unesco: Pandemia acelerou a exclusão escolar em países pobres

Unesco: Pandemia acelerou a exclusão escolar em países pobres

A pandemia do novo coronavírus exacerbou a exclusão dos alunos com menos recursos em todo o mundo, especialmente nos países mais pobres, segundo concluiu um estudo divulgado pela Unesco nesta terça-feira (23).

Cerca de 40% dos países menos desenvolvidos não forneceram o apoio necessário aos alunos com menos recursos ou mais defasados durante o fechamento massivo das escolas por confinamento, afirmou em um documento a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

Em seu "Informe de Acompanhamento da Educação no Mundo 2020: Inclusão e Educação", a agência denuncia que um total de 258 milhões de crianças e jovens ficaram completamente excluídos da educação durante o confinamento.

Entre as revelações que estão no relatório, há o fato de que nenhuma mulher com origem em um ambiente rural consegue completar o ensino secundário em pelo menos 20 países, a maioria deles na África subsaariana.

As diferenças não acontecem apenas entre diferentes países, mas dentro deles mesmos: nos locais menos desenvolvidos é três vezes mais provável que os adolescentes de famílias mais abastadas terminem o ensino médio do que os das famílias menos favorecidas.

Ao mesmo tempo, nos países mais pobres, aqueles que completam o ensino médio e vêm de lares com mais recursos têm o dobro da probabilidade de ter conhecimentos básicos de leitura e matemática.

Por tudo isso, a Unicef pede aos países que centrem esforços nos alunos que ficaram sem condições de estudar quando as escolas voltem a abrir as portas, de maneira a formar sociedades mais resilientes e igualitárias.

"Para estar à altura dos desafios do nosso tempo, é essencial avançar para uma educação mais inclusiva. Repensar o futuro da educação é ainda mais importante depois da pandemia da covid-19, que exacerbou e trouxe ainda mais à tona as desigualdades", disse a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay.

Questões de desigualdade

As desigualdades na educaçao se inserem em um contexto mais amplo de discriminação contra crianças nos países menos desenvolvidos, como demonstra o fato de que 117 países, segundo o relatório, seguem permitindo os matrimônios infantis, enquanto 20 ainda não assinaram o convênio contra o trabalho infantil.

Nos países do centro e leste europeu, as crianças romanis (ciganas) são segregadas nas escolas, segundo a Unesco, que também denuncia que os estudantes que são imigrantes nos países mais ricos são colocados nas mesmas escolas, o que reduz suas possibilidades de sucesso futuro.

Para o diretor responsável pelo estudo, Manos Antoninis, a covid-19 deu a todo o mundo "uma verdadeira oportunidade para repensar nossos sistemas educativos".

Ainda assim, o organismo alerta sobre a "falta crônica de dados de qualidade" sobre alunos repetentes e denuncia que quase a metade dos países menos ricos não compilam dados suficientes sobre a educação das crianças com deficiência.

"A insuficiência desses dados significa que não temos como ver uma grande parte do panorama. Não é de estranhar que as desigualdades expostas repentinamente durante a crise da covid-19 nos surpreendam", destacou Antoninis.

O estudo também dá razões para esperança ao relatar progressos para a inclusão que estão sendo observados em países como Malawi, Cuba e Ucrânia, que permitem que escolas comuns recebam alunos saídos de escolas especiais.