Educação

Os resultados dos nossos melhores alunos no Pisa deixam a desejar

Os resultados dos nossos melhores alunos no Pisa deixam a desejar

Neste 8º post da série sobre o Relatório “Para desatar os nós da educação – uma nova agenda” (terceiro e último post da segunda parte da série), apresentamos os resultados dos alunos brasileiros no Pisa. Chamamos a atenção não apenas para a média, mas sobretudo para as notas dos nossos alunos com melhor desempenho.

O Pisa já se tornou bastante conhecido no Brasil – é um teste internacional aplicado aos jovens com 15 anos de idade que, tipicamente, já frequentaram 9 anos de ensino formal e, em sua expressiva maioria, estão cursando o 10o ano. O teste é aplicado numa amostra de alunos dos países e inclui estudantes de todas as redes de ensino – publicas e privadas. Em alguns países há sub-amostras representativas dos estados, províncias ou regiões desses países. O teste tem características diferentes da Prova Brasil – ele mede mais a capacidade de aplicar conhecimentos do que um conjunto determinado de conhecimentos previstos num currículo nacional. O Pisa goza de reputação bastante razoável entre os especialistas em psicometria, embora alguns desses identifiquem deficiências conceituais que consideram bastante graves. Mas, de modo geral, os resultados do teste são estáveis e bastante relacionados com os resultados dos testes nacionais respectivos, o que confere ao Pisa um status razoável como instrumento de medida.

Como os alunos brasileiros se comportam no Pisa? Esta figura apresenta a evolução dos resultados ao longo de seis aplicações do teste de Matemática, entre o ano de 2000 e 2015. Nesse período, a média do Pisa permaneceu relativamente estável, em torno de 490 pontos. A média do Brasil subiu de maneira expressiva – de menos de 340 para quase 380 pontos em 2013. O desvio padrão do Pisa é de 100. Portanto, estamos falando em .4 de um desvio padrão – um ganho excepcional. Esse ganho, claro, ainda deixa o Brasil numa posição muito desconfortável: a média de quase 380 pontos situa-se 110 pontos abaixo da média de 490 pontos dos demais países da OCDE, uma diferença de conhecimentos superior a quatro séries escolares. Ou seja: por essa medida, um aluno brasileiro de 15 anos teria escolaridade comparável a um aluno de pouco mais de 10 anos num país da OCDE. Cabe lembrar que a média brasileira é puxada para cima pela participação dos alunos das escolas privadas.

esta figura apresenta um quadro bem mais dramático. Os dados são do teste de Matemática em 2015. Da média já tratamos no parágrafo anterior: nosso aluno médio está mais de quatro anos de escolaridade abaixo. Visto de outra forma: menos de 15% dos alunos brasileiros situam-se acima da média dos países da OCDE.

Mas tem mais: quando observamos os indicadores P95 e P99 – alunos que se encontram no P95 e 99 de seus respectivos grupos –, vemos que os 5% melhores alunos do Brasil no Pisa (P95) situam-se próximos à média dos alunos da OCDE. Os alunos situados no nível mais alto (P99, os 1% melhores) situam-se próximos aos 15% melhores de um país médio da OCDE. Ou seja: a grande maioria dos alunos brasileiros tem desempenho pífio. E os nossos melhores alunos têm desempenho mediano, quando comparados com os melhores do mundo.

Dada a importância da qualidade das elites para o desenvolvimento político, econômico e social de um país, este dado deve servir de alerta para as famílias e para as autoridades educacionais: precisamos melhorar a escola para os alunos mais fracos, mas também exigir mais e oferecer uma escola mais adequada e desafiadora para estimular os melhores alunos.

Concluímos a segunda parte desta série. Na próxima, vamos examinar o que explica – ou não – o desempenho escolar. De modo especial, vamos “desconstruir” as ideias mais prevalentes de que a educação no Brasil não melhora porque precisa de “mais” de tudo – mais professores, mais recursos, mais vagas, mais formalidades.