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Histórias inspiradoras: a fotografia vai além das técnicas

Histórias inspiradoras: a fotografia vai além das técnicas

Há dois anos, Nazareth Marcela Pacheco Segura é especialista em Fotografia como Arte Contemporânea. Por trás do título conquistado com a pós-graduação presencial em Fotografia como Arte Contemporânea no Centro Universitário Senac em 2018, está uma escolha totalmente alinhada com as suas expectativas e a certeza de que saiu diferente e preparada para enfrentar um mercado profissional.

“É um curso que discute a fotografia além de técnicas fotográficas e tem tudo a ver com a minha visão sobre o tema. Por exemplo, não acredito que se deva passar pela fotografia comercial para chegar na artística. A melhor forma de estudar é olhar e criticar a fotografia. E foi exatamente o que fizemos na sala de aula, foi sem dúvida uma boa escolha”, comenta, para quem a instituição ofereceu as ferramentas e o dever de instruir pessoas sobre a fotografia como expressão artística.

Referência em sala de aula

A costa-riquenha se formou em jornalismo em 2012 em seu país e logo foi morar na Alemanha, ficando por lá até 2016. No ano seguinte, resolveu retomar os estudos no Brasil. “Conhecer melhor a fotografia como mulher latino-americana no país com mais influência artística da América Latina foi muito rico. O Brasil é um país maravilhoso, com muitos artistas excepcionais e cheguei a conhecer alguns deles pessoalmente, como o Kenji Ota, que foi meu professor no curso de pós-graduação do Senac”, conta.

O Senac é uma grande família

Nazareth não tem dúvidas de que o Senac a acolheu da melhor maneira e mesmo depois de concluir o curso essa parceria continua. “Eu me sinto parte de uma grande família no Senac e são vários os momentos para destacar. Os momentos especiais têm muito a ver com expressões de apoio dos meus professores e colegas com cada conquista que envolveu o meu projeto artístico ou de vida, que no fundo são a mesma coisa. Foi importante me sentir numa rede de apoio na hora de criação e foi assim que nasceu o projeto 'ORGÂNICO: Ser Vivo, uma pesquisa em madeira como corpo fotográfico' iniciada nas aulas do Senac e que continua até hoje, no meu ateliê no Centro Histórico de Paraty, no Rio de Janeiro. Um projeto que meus professores e colegas do Senac seguem de perto, demonstrando ainda muito apoio”, revela.

Retratos indígenas

A especialista em Fotografia como Arte Contemporânea explica que o trabalho do “ORGÂNICO: Ser Vivo, uma pesquisa em madeira como corpo fotográfico” retrata indígenas latino-americanos, especificamente do Brasil e da Costa Rica, revelados na madeira com a técnica artesanal de fotografia: Cianotipia.

“É um processo de revelado que iniciei no laboratório de processos históricos de fotografia do Senac, no curso de Práticas Artísticas, com o professor Kenji Ota. São retratos que fiz só depois de um tempo de convivência com habitantes da várzea amazônica na reserva ecológica de Mamirauá, no Amazonas e nas montanhas da Talamanca na Costa Rica", conta.

"A pesquisa começou em 2017 com o revelado na madeira, mas a minha relação com as comunidades indígenas é da vida inteira, é natural para mim. A relação que tenho com o meu retratado é uma coisa que vem mudando, crio uma amizade sincera antes de fotografar, por isso estou em Paraty. Continuei meu caminho pelo Brasil depois de sair de São Paulo. Com o povo Guarani M'Bya tenho uma relação de amizade desde começo do ano 2019 e, com eles, estou desenvolvendo outro projeto também na madeira, chamado de Petynguá. É inspirado no cachimbo e na fumaça do tabaco, sagrada para os guaranis", explica Nazareth.

Revelação na madeira

A técnica de revelação na madeira nasceu de uma vontade de explorar a fotografia não-convencional, também chamada de fotografia alternativa. “Ao utilizar a madeira como suporte, estou mostrando a possibilidade de mostrar uma imagem além do papel e do digital. Também cria uma imagem única, por conta da peculiaridade da madeira. Ainda que eu use o mesmo negativo e tempo de exposição na luz, é impossível criar duas fotografias iguais. Isso acaba com a crença dentro da história da fotografia, de quando se dava pouco valor à fotografia pela sua capacidade infinita de reprodução. É fotografia não-convencional porque chega a ter um peso, um cheiro, um gosto, e os retratos de indígenas na madeira fazem todo sentido ao olhar o rosto 'dentro' da madeira”, explica a artista.

Como a pós-graduação pode alavancar a carreira

Nazareth acredita que todas as bases do seu trabalho foram adquiridas na sala de aula. Desde a técnica de Cianotipia e o uso da madeira, passando pela fotografia não-convencional, até a capacidade de discutir imagens como arte contemporânea. “Me permitiu não só desenvolver um trabalho pessoal artístico, mas também ajudar outras pessoas a conhecerem a fotografia de outro jeito. Inspirada nisso, fundei o Clube da Fotografia de Paraty, em maio de 2019. Já realizamos mais de 10 encontros com fotógrafos convidados e participei da discussão sobre fotografia como arte contemporânea".

Os encontros acontecem no Ateliê de Fotografia Alternativa Nazareth Pacheco, onde também os moradores de Paraty e visitantes podem entender a fotografia alternativa com atividades gratuitas, que envolvem exposições de fotografia com convidados e apresentações de outras disciplinas artísticas, como música autoral e performances.

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