Educação

Em tempos de coronavírus, alfabetização deve ser em casa

Em tempos de coronavírus, alfabetização deve ser em casa

A suspensão das aulas têm deixado muitos pais ansiosos e sem saber exatamente como ajudar as crianças, principalmente aqueles que têm filhos na fase de alfabetização.

A psicóloga Carla Regina Zuquetto, mãe de Mariana, 6 anos, espalhou livros em um quarto que não está sendo usado para a filha. "A Mariana tem mais livros que eu e está crescendo em um ambiente leitor", conta. "Por essa razão, ela já está lendo, lê as letras maiúsculas e o processo de alfabetização está caminhando."

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Para Carla, a maior preocupação neste momento é o que fazer com a filha em um apartamento. "Ela é uma criança que tem aula de circo, yoga, tae kwon do, dança, natação e essa questão social me aflige mais, a alfabetização ela é capaz de recuperar."

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A psicopedagoga Ivone Scatolin concorda com Carla. Na concepção dela, as crianças precisam ser estimuladas não apenas pela escola. "Elas devem ter contato com a leitura, com a escrita e com o mundo social", observa. Contar histórias, ler livros junto com os filhos, fazer atividades gráficas, brincadeiras de contar, preparar uma receita com a criança para que ela veja as quantidades, deixá-las escrever listas ou ler rótulos são dicas para auxiliar nesse processo de aprendizagem.

"Também é importante que a escola passe informações para os pais de como oferecer atividades para as crianças nesta fase e ofereça um canal de comunicação até para esclerecer eventuais dúvidas da família", observa.

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Nesta fase de reclusão, o papel da família de para acompanhar atividades e estimular os filhos é fundamental.

Para a coordenadora de implementação municipal do Itaú Social, Sonia Dias, "o impacto da suspensão das aulas será proporcional ao tempo que os estudantes  ficarem longe da escola", avalia. "Mas é muito importante destacar que é temporário e as escolas estão elaborando estratégias de ensino a distância para manter o ritmo de aprendizagem, e, sem dúvida, não haverá prejuízo para as crianças."

Sonia destaca que é importante mostrar o quanto "essas medidas de suspensão de aulas e de outras atividades estão relacionadas a um bem maior que é a saúde de todos e de cada um."

Enquanto as aulas não voltam, Carla procura deixar a rotina de Mariana mais  animada. "Comprei tinta, um jogo diferente que ela nunca viu, fiz uma seleção dos filmes, um bolo de chocolate e já congelei em fatias, comprei dois pacotes de pipoca" e assim as famílias vão se adaptando.