Educação

Cuidado com o rótulo: nem toda a criança sofre de déficit de atenção

Cuidado com o rótulo: nem toda a criança sofre de déficit de atenção

A criança não consegue ficar quieta na cadeira, não tem posição. É agitada, dorme mal e passa o dia cansada, irritada. Chega a trocar o som das letras. Pode até parecer que são sintomas de TDHA (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), mas na verdade são características de um respirador bucal.

Termo muito comum entre médicos e fonoaudiólogos, a Síndrome do Respirador Bucal, como o nome indica, se caracteriza pela respiração pela boca. Quando o nariz está entupido esse é um processo natural, o problema vira um hábito ou é frequente.

Essa é uma síndrome cada vez mais comum entre as crianças que vivem nos grandes centros urbanos, principalmente por conta das alergias respiratórias agravadas pela poluição. A psicopedagoga Patrícia Marques, especialista no assunto, explica que ao respirar pela boca com frequência a criança muda o padrão respiratório e o que aparentemente seria inofensivo pode virar um problema.

“Os pais devem ficar atentos às mudanças de postura, na arcada dentária”, observa. “As crianças que não conseguem respirar direito têm dificuldade para dormir, acordam várias vezes durante a noite e vão para a escola cansadas e o rendimento cai.”

Na escola, os professores devem observar algumas características: o aluno não tem posição na cadeira (provavelmente porque não consegue respirar direito), está sempre cansado, troca o som de algumas letras, é uma criança ‘desligada’, está sempre com olheira e de boca aberta, mesmo na hora do lanche.

“Uma pesquisa aponta que 30% das crianças atendidas pelo hospital infantil Sabará são respiradores bucais, mas a maioria dos professores desconhece a síndrome e confunde com TDHA”, avalia.

O tratamento deve envolver profissionais de diferentes áreas da saúde. O primeiro é o médico que deve fazer o diagnóstico e cuidar do problema respiratório que causa a obstrução do nariz. Depois acionar a fonoaudióloga para fortalecer a musculatura do rosto e corrigir possíveis problemas de fala. Por fim, em casos mais delicados, uma psicóloga deve ser acionada para auxiliar o desenvolvimento da criança.