Economia

Quando o destino é o hotel — superluxuoso — e não a cidade

Quando o destino é o hotel — superluxuoso — e não a cidade

Viaja-se a turismo, quase sempre, por um conjunto de motivos — o cidadão escolhe Paris porque a comida é inigualável, os museus são inesquecíveis e flanar pelas ruas é esporte. Se a escolha é Nova York, a agenda inclui musicais na Broadway, compras e restaurantes de cinema. Tem sido dessa forma há algumas décadas, em um mercado, o de viagens, que cresce 5% todos os anos, globalmente. A facilidade de reservas por meio de aplicativos antecipa expansão ainda mais vigorosa. Dada a popularização, digamos assim, dos deslocamentos internacionais, brotou um novo ímã de interesse.

Buscam-se o exclusivo, o isolado, o charmoso — e, nesse movimento, o destino agora é o hotel, e não uma cidade, uma região ou um país. Não se trata da cama fofinha, cheia de travesseiros e colchas macias, nem da banheira Jacuzzi no quarto. O que vale mesmo, para além do conforto interno, é a vida que brota fora dos muros, em amplas áreas espetaculares. Pode ser diante do mar, perto de esplendorosos jardins ou cercado de neve. “O novo viajante quer uma experiência autêntica”, diz Tomas Perez, CEO da Teresa Perez, tradicional agência de turismo de luxo no país.

 (./Divulgação)

Não é barato, mas é sempre extraordinário (veja três exemplos nesta reportagem), vale cada centavo. Como não se entusiasmar, por exemplo, com uma refeição no topo da montanha proporcionada pelo Villa Padierna, da rede Amantara, em Marbella, na Espanha, seguida de um sobrevoo de avião? Pode-se medir estatisticamente a crescente procura pelo singular. O mercado global de hotéis de luxo não para de crescer. Em 2015, era avaliado em 153,8 bilhões de dólares. A previsão é que em 2021 chegue a 194,6 bilhões — um salto de 26,5% em seis anos.

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A ideia do hotel como o único endereço de uma viagem nasceu com os resorts, e muitos deles são realmente uma excelente escolha, em especial para famílias com filhos. Mas convém estabelecer diferenças: resort é sinônimo de muita gente, alegria compulsória e música nas alturas, além da hidroginástica coletiva. O turista de luxo, esse que pede discrição em um único canto privilegiado, foge de tanta agitação. Quer um mundo fechado para chamar de seu.

Publicado em VEJA de 20 de novembro de 2019, edição nº 2661