Economia

Moradores de Paraisópolis irão ao Palácio dos Bandeirantes cobrar Doria

Moradores de Paraisópolis irão ao Palácio dos Bandeirantes cobrar Doria

Moradores da favela de Paraisópolis, em São Paulo, convocaram uma manifestação para segunda-feira, 18, para pedirem políticas públicas efetivas para que moradores de comunidades possam enfrentar a pandemia do coronavírus em um possível lockdown. O ato, organizado pelo grupo G10 das Favelas fará uma caminhada de Paraisópolis até o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual.

“Os governos, apesar das dificuldades que encontramos no isolamento com a falta de água, testes, serviço de ambulâncias, alimentação e higiene, continuam ignorando o fato de existirem 13 milhões de brasileiros, homens, mulheres e crianças vivendo em favelas e que precisam de ajuda”, afirma o manifesto. “A população e muitas empresas têm dado exemplo de mobilização e apoio, mas o governo tem que fazer a sua parte”.

Para tentar atenuar os efeitos da pandemia nas favelas, comunidades paulistanas organizaram mutirões de distribuição de cestas básicas, confecção de máscaras por artesãs locais e uso de escolas para isolamento de pessoas com sintomas leves de Covid-19. O movimento, entretanto, questiona que um endurecimento de medidas de combate a pandemia, como o lockdown, pode prejudicar ainda mais pessoas em situação de vulnerabilidade, já que as comunidades enfrentam problemas como “falta de água, testes, serviço de ambulâncias, alimentação e higiene”.

“Às vésperas de um Tranca Rua (lockdown), continuamos sem condições de sobrevivência devido às más condições de saúde e alimentação. Não vamos nos calar. Convocamos todas as favelas do país a se juntarem a nós e cobrar dos prefeitos, governadores e do presidente do Brasil que criem politicas públicas específicas para as favelas.” O movimento cobra que as políticas públicas pensem em enfrentamento à doença não apenas para classes altas “que se salva da crise munido de álcool gel”.

Lockdown em SP

Tanto o governo estadual como o municipal não descartam endurecimento de medidas de combate a disseminação do vírus, para evitar o colapso dos sistemas de saúde, já em alto nível de estresse. A capital paulista está em quarentena, quando há fechamento de atividades não essenciais como comércio e serviços, há cerca de 60 dias. O Estado registrava, até sábado, 61.183 casos e 4.688 óbitos. O lockdown, já considerado pelo governo paulista, proíbe a circulação da população nas ruas, deixando em funcionamento apenas serviços estritamente essenciais, como saúde e alimentação.

Na semana passada, o prefeito de São Paulo. Bruno Covas, havia aumentado o rodízio de veículos, estipulando que carros poderiam circular apenas em dias alternados. A ideia visava diminuir a circulação de pessoas, porém a taxa de isolamento continuou menor que 50%. A partir desta segunda-feira, o rodízio volta ao esquema normal.