Economia

BC lança nota de R$ 200 para cortar custos, mas facilita para a corrupção

BC lança nota de R$ 200 para cortar custos, mas facilita para a corrupção

A resposta de um doleiro condenado da Lava Jato ao ver que o governo vai lançar uma nota de 200 reais: “muito mais fácil de carregar”. Quão mais fácil teria sido a vida do Rodrigo Rocha Loures quando recebeu a mala de 500 mil reais em notas do Joesley Batista e poderia ter passado menos despercebido do que com uma mala tão grande nas mãos? Quanto espaço teria economizado o ex-ministro Geddel Vieira Lima com os 51 milhões de reais encontrados em malas e caixas em um apartamento? Pois o Banco Central vai facilitar a vida de quem precisa carregar muito dinheiro ao lançar a nota de 200 reais.

O brasileiro médio mesmo nem carrega as notas de grande valor. Uma pesquisa do próprio Banco Central mostra que apenas 10% das pessoas carregam notas de 100 reais. Uma pesquisa do próprio Banco Central mostra que apenas 10% das pessoas carregam notas de 100 reais. A maioria costuma mesmo ter as notas de menor valor na carteira. Sem contar que com a pandemia, aumentou o número de pessoas que estão mesmo é usando mais os meios digitais.

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou o lançamento de cédulas de real no valor de 200 reais com dois objetivos: recompor o valor da moeda com valor de face mais alto — em 1994, o poder de fogo de uma nota de 100 era cinco vezes maior do que hoje — e reduzir o custo de emissão de papel moeda, importante referência para os cálculos de base monetária. O animal que ilustrará o papel moeda será o Lobo Guará. Segundo o Banco Central, serão impressas 450 milhões de cédulas ainda este ano, totalizando 90 bilhões de reais.

A medida, porém, vai na contramão do que países democráticos estão praticando. Na União Europeia, onde circula notas de 500 euros, a principal discussão sobre os valores das notas se dá perante o combate à lavagem de dinheiro. Quanto maior o valor de face, mais fácil é o transporte e a omissão dos valores. Em um momento de pandemia, no qual o Banco Central deveria estar focado nas ações de combate à crise econômica, perde-se tempo e energia ao colocar em prática uma ação que não trará benefícios econômicos e que apenas facilitará para o crime organizado. Aliás, se esta não é a principal mazela do país, é uma das mais.

O outro lado da discussão, que penderia para o lado favorável à criação desta cédula, está na redução do custo da impressão de papel moeda e no transporte de valores. Contudo, numa sociedade cada vez mais digitalizada, cuja tendência é irrevogável, e com uma inflação pra lá de controlada, simplesmente não faz sentido a iniciativa empreendida pelo Banco Central e outros órgãos do governo, como o Ministério da Economia. O próprio Banco Central, em estimativa de 2016, previa que a lavagem de dinheiro movimentava 6 bilhões de reais por ano. Este valor é três vezes maior do que os recursos reconquistados pela Operação Lava Jato em seus seis anos de atuação. O tráfico de drogas, a corrupção e as milícias agradecem a redução de custos no transporte.